Um inimigo silencioso ronda os homens acima de 40 anos. Por desconhecimento e preconceito, essa população de aproximadamente 25 milhões de pessoas no Brasil está vulnerável ao câncer de próstata. De evolução lenta e assintomático na fase inicial, trata-se do segundo câncer mais comum no país entre os homens — só fica atrás do câncer de pele —, com um registro de 71 mil novos casos por ano.
O alerta para a condição masculina motivou o evento Novembro Azul: a saúde do homem em foco, realizado em Brasília pelos Diários Associados. Em dois painéis, especialistas reforçaram as medidas preventivas, detalharam as técnicas mais recentes de tratamento — entre elas, a cirurgia robótica — e insistiram muito na urgência de haver um esforço coletivo para convencer os homens a procurarem o médico. Nesse contexto, a família desempenha um papel estratégico: os médicos presentes no seminário ressaltaram a importância de esposas, filhas e sobrinhas insistirem em conscientizar o homem a irem ao consultório e realizar exames frequentes.
O envolvimento de parentes para o bem-estar do homem pode ser considerado fundamental na medida em que, como alertam os médicos, o câncer não é uma doença individual. Acomete o indivíduo, mas afeta todo o seio familiar. Essa foi a mensagem deixada pelo ministro Vital do Rêgo, presidente do Tribunal de Contas da União, na abertura do evento do Correio Braziliense. Em um depoimento emocionante, Vital do Rêgo contou o drama familiar por que passou ao acompanhar o sofrimento do pai, vítima de câncer de próstata.
Médico de formação, o presidente do TCU fez questão de salientar os bloqueios que muitas vezes afastam os homens da prevenção e levam-nos a situações críticas. "Meu pai pensava que, ao tirar a próstata, ele ficaria impotente. Perdeu a vida por tabu, desinformação, medo e falta de coragem de enfrentar algo que pode ser muito bem tratado", disse o magistrado.
O engajamento da família e a iniciativa pessoal dos brasileiros são fundamentais para evitar tanto sofrimento. Mas essas atitudes não diminuem a responsabilidade do poder público de implementar políticas voltadas para a saúde do homem. Essas ações podem ser direcionadas já na fase infantil, pois há outras ocorrências, como fimose e o câncer de pênis e de testículo, que têm uma incidência relevante entre os mais jovens.
Faz parte da cultura nacional o estereótipo de que o homem não precisa se cuidar, somente quando o caso é grave. Acredita-se, ainda, que uma intervenção médica na próstata pode causar impotência — mito amplamente contestado pelos médicos, que apontam uma série de alternativas para o paciente ter uma vida sexual ativa. É preciso deixar de lado todos esses tabus, em nome da ciência e da vida. E não apenas no mês de novembro.
Fonte/Créditos: Por Correio Braziliense
Créditos (Imagem de capa): (crédito: Reprodução/Freepik)

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