O jornal Folha de S.Paulo publicou nesta quarta-feira (2) um duro editorial, “A Moraes cabe a renúncia”, no qual afirma que não há mais lugar no Supremo Tribunal Federal para o ministro Alexandre de Moraes e cobra sua saída imediata. Sem esse gesto, diz o texto, caberá ao Senado processar o impeachment.
O editorial considera que as revelações da Polícia Federal sobre as mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, “acabam com as dúvidas sobre a incompatibilidade do ministro com a corte”. O jornal descreve a relação como “promiscuidade entre o juiz e o mafioso Daniel Vorcaro” e afirma que o limite da tolerância já havia sido atingido com o que se sabia antes.
Segundo o texto, “o fraudador, enquanto enriquecia a família Moraes com dinheiro roubado, tinha o ministro como um conselheiro e um informante”. O jornal cita o contrato de R$131 milhões entre o Banco Master e o escritório da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes, e as comunicações nas vésperas da prisão de Vorcaro, feitas em modalidade que apaga o conteúdo após a leitura.
O jornal avalia que as novas informações “sepultam qualquer incerteza restante” e que, enquanto Moraes permanecer no cargo, “a desonra e o descrédito se acumularão sobre o tribunal”. A renúncia, afirma, seria o ato “mais digno e rápido” e pouparia as instituições de um desgaste longo. Na ausência dele, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), “está instado a fazer tramitar os pedidos de impeachment”, respeitadas as garantias legais do ministro. O editorial demonstra pouco otimismo com a Procuradoria-Geral da República.
O que as mensagens e o relatório da PF mostram
As revelações tornadas públicas na terça-feira (1º) pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF, indicam ao menos seis encontros entre Moraes e Vorcaro. O ex-banqueiro perguntou ao ministro, dois dias antes de ser preso, se deveria deixar o país. A PF aponta que Moraes editou a minuta do contrato de R$ 131 milhões com o escritório da mulher e que havia tratativas de um segundo acordo, de R$ 50 milhões, envolvendo cotas de aeronaves.
Vorcaro foi preso em 17 de novembro de 2025 no aeroporto de Guarulhos, quando tentava embarcar em jato particular. O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central no dia seguinte. As investigações da Operação Compliance Zero apontam esquema de fraudes que inflava artificialmente o valor do banco, desviava recursos e causou prejuízo bilionário ao sistema financeiro. Vorcaro responde por gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e organização criminosa e permanece preso.
O contato entre os dois teria começado no fim de 2023, intermediado pelo ex-ministro das Comunicações Fábio Faria. Vorcaro salvou o número de Moraes na agenda e enviou mensagens de “gratidão da minha vida”. As respostas do ministro não foram recuperadas porque as conversas usavam prints de visualização única.
Moraes não se manifestou publicamente sobre o relatório mais recente até a publicação do editorial. A PGR, de Paulo Gonet — também citado nas conversas —, pediu a anulação do documento da PF e criticou a atuação de Mendonça. O caso aprofundou a crise interna no STF e reacendeu pedidos de impeachment no Senado, embora a oposição reconheça dificuldades políticas para tramitação.
Fonte/Créditos: DIÁRIO DO PODER
Créditos (Imagem de capa): Ministro do STF Alexandre de Moraes. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil).
