PORTO VELHO, RO - A disputa pelo Governo de Rondônia deixou de ser uma coleção de pré-candidaturas isoladas e começou a assumir a forma de uma verdadeira guerra pelo poder. Partidos avançam na realização de convenções, alianças são apresentadas ao eleitorado e as principais chapas passam a exibir candidatos ao Governo, à Vice-Governadoria e ao Senado. O cenário de 2026 ganha contornos mais claros, mas também revela uma contradição incômoda: os nomes aparecem com facilidade, enquanto os projetos para o Estado continuam recebendo menos atenção do que a montagem dos palanques.
Marcos Rogério, Hildon Chaves, Adaílton Fúria, Pedro Abib e Expedito Netto representam os principais polos formados ou em processo de consolidação na corrida pelo Palácio Rio Madeira. Cada grupo tenta demonstrar unidade, capilaridade e capacidade eleitoral. A preocupação imediata está em reunir partidos, ocupar posições estratégicas e apresentar uma chapa capaz de competir pelo segundo turno. A eleição já dispõe de candidatos em quantidade suficiente. A dúvida é se apresentará diferenças políticas tão nítidas quanto as diferenças partidárias.
O PL entra na disputa com Marcos Rogério como candidato ao Governo e Delegado Camargo na posição de vice. Para o Senado, o partido apresenta Bruno Scheid e Fernando Máximo. A composição reúne um senador, um deputado estadual e lideranças identificadas com o campo político da direita, numa tentativa de transformar a força partidária e a presença eleitoral do grupo em uma chapa majoritária completa.
A estratégia é clara. O PL procura disputar simultaneamente o comando do Executivo estadual e as duas vagas ao Senado, evitando depender de aliados externos para preencher os espaços centrais da candidatura. Marcos Rogério ocupa a cabeça da chapa, Delegado Camargo reforça a ligação do grupo com a Assembleia Legislativa e Bruno Scheid e Fernando Máximo entram na batalha senatorial. Trata-se de um bloco estruturado para apresentar identidade própria e ocupar praticamente todo o espaço disponível dentro de seu campo político.
A força dessa composição não elimina seus desafios. Uma chapa cheia de nomes conhecidos não vence apenas por sua formação. Ela precisa ampliar seu alcance para além do eleitorado já identificado com o partido, disputar regiões em que os adversários possuem bases consolidadas e demonstrar que sua unidade eleitoral corresponde a um projeto de governo minimamente coerente. A eleição estadual não será decidida somente pela capacidade de mobilizar militantes ou reproduzir discursos nacionais dentro de Rondônia.
Hildon Chaves também procura se consolidar como alternativa competitiva. O ex-prefeito de Porto Velho caminha para a disputa do Governo ao lado de Cirone Deiró, indicado para vice, enquanto Mariana Carvalho e Silvia Cristina aparecem como os nomes do grupo para o Senado. A chapa procura reunir a força eleitoral da capital, a presença política no interior e candidaturas femininas com trajetória conhecida no Estado.
A composição revela uma tentativa de construir um bloco amplo de centro-direita, capaz de concorrer com o PL sem abandonar completamente o eleitorado conservador. Hildon leva para a disputa a experiência de ter administrado Porto Velho. Cirone Deiró acrescenta atuação parlamentar e ligação com municípios do interior. Mariana Carvalho e Silvia Cristina ampliam o alcance da chapa na disputa pelo Senado e fortalecem a presença feminina entre os principais nomes da eleição.
O desafio de Hildon será provar que a força acumulada na capital pode ser transformada em uma candidatura verdadeiramente estadual. Porto Velho concentra a maior parcela do eleitorado de Rondônia, mas não decide sozinha uma eleição para o Governo. A chapa precisará demonstrar presença em regiões nas quais outros candidatos possuem relações políticas, administrativas e eleitorais construídas ao longo de anos.
Adaílton Fúria surge como outro polo de peso. A composição apresentada para a convenção reúne Fúria como candidato ao Governo, Everton Leoni como vice e Luís Fernando na disputa pelo Senado. O grupo formado por PSD, Avante e Federação Renovação Solidária procura transformar a projeção política do ex-prefeito de Cacoal em uma candidatura estadual organizada.
Fúria representa um movimento diferente daquele liderado por Marcos Rogério e Hildon Chaves. Sua principal base política está no interior, especialmente em uma região estratégica do Estado. Everton Leoni acrescenta experiência política e capacidade de comunicação, enquanto Luís Fernando leva para a chapa um perfil associado à administração e à gestão fiscal. A combinação procura apresentar equilíbrio entre força municipal, comunicação política e discurso técnico.
A entrada de Fúria com uma chapa praticamente completa aumenta a fragmentação da centro-direita e torna a disputa mais imprevisível. Marcos Rogério, Hildon Chaves e Adaílton Fúria podem disputar parcelas próximas do eleitorado, ainda que apresentem trajetórias, partidos e bases diferentes. A sobreposição cria uma batalha direta pela condição de principal representante desse campo político e amplia a possibilidade de ataques sobre viabilidade, alianças, apoios e capacidade de chegar ao segundo turno.
O MDB apresenta Pedro Abib para o Governo e Confúcio Moura para o Senado. A composição procura manter o partido dentro da disputa majoritária e preservar o espaço de uma legenda historicamente relevante na política rondoniense. Pedro Abib assume a missão de liderar a candidatura ao Executivo, enquanto Confúcio busca renovar seu mandato no Senado.
A presença de Confúcio confere peso político à chapa, mas também cria uma diferença evidente entre as duas posições. O senador é uma figura conhecida em todo o Estado, com longa trajetória eleitoral, enquanto Pedro Abib precisa ampliar seu reconhecimento público e transformar sua candidatura em uma alternativa capaz de superar o espaço interno do MDB. A convenção oferece a legenda e a estrutura; a campanha terá de oferecer competitividade.
No campo da esquerda, Expedito Netto aparece como candidato ao Governo, tendo Luciana Oliveira como nome para o Senado. A composição assegura presença própria ao grupo progressista e impede que esse eleitorado seja automaticamente absorvido por candidaturas de centro. A chapa também carrega a tarefa de nacionalizar parte do debate sem perder de vista as questões específicas de Rondônia.
Expedito Netto terá de enfrentar uma dificuldade própria. Além de competir com os demais candidatos, precisará organizar um campo político que historicamente encontra resistência significativa no Estado. A candidatura pode consolidar o eleitorado de esquerda, mas sua capacidade de crescer dependerá da construção de alianças, da definição de uma mensagem estadual e da disposição de disputar votos fora de sua base ideológica mais fiel.
Acir Gurgacz completa o conjunto de nomes de maior projeção na corrida pelo Senado. Indicado pelo PDT, o ex-senador tenta retornar ao centro da disputa eleitoral, embora sua candidatura permaneça acompanhada por questionamentos jurídicos sobre elegibilidade. A situação transforma o nome de Acir em uma peça politicamente relevante e juridicamente sensível.
O Senado, aliás, deixou de funcionar como disputa secundária. As duas vagas disponíveis aumentaram seu valor dentro das negociações partidárias e transformaram as candidaturas senatoriais em elementos fundamentais para a composição dos blocos. Bruno Scheid, Fernando Máximo, Mariana Carvalho, Silvia Cristina, Luís Fernando, Confúcio Moura, Luciana Oliveira e Acir Gurgacz representam projetos distintos de ocupação dessas cadeiras.
A quantidade de nomes cria uma disputa própria dentro da eleição estadual. Candidatos ao Senado não atuarão apenas como acompanhantes dos postulantes ao Governo. Eles precisarão construir campanhas independentes, preservar suas bases e convencer o eleitor a fazer duas escolhas em meio a um cenário carregado de candidaturas. A montagem das chapas revela que os partidos compreenderam a importância dessa batalha e passaram a tratar o Senado como parte central, e não acessória, do projeto de poder.
O mapa eleitoral ajuda a explicar a escolha de alguns nomes. Rondônia possui 1.267.105 eleitores aptos. Porto Velho concentra 29,05% desse total. Somadas, Porto Velho, Ji-Paraná, Ariquemes, Vilhena e Cacoal reúnem mais de 53,74% do eleitorado estadual. Mais da metade dos votos está concentrada em cinco municípios, circunstância que inevitavelmente influencia a formação das chapas e a organização das campanhas.
Hildon Chaves leva para a disputa sua vinculação com Porto Velho. Adaílton Fúria parte de uma base consolidada em Cacoal. Outros candidatos e integrantes das chapas possuem trajetórias associadas à capital, à Assembleia Legislativa, ao Congresso Nacional ou a diferentes regiões do interior. A eleição será também uma disputa territorial, na qual cada grupo tentará combinar força nos grandes colégios eleitorais com presença suficiente nos municípios menores.
Essa matemática cria um risco. As campanhas podem concentrar recursos, agendas e discursos nos municípios capazes de oferecer maior retorno eleitoral e transformar o restante do Estado em uma coleção de visitas rápidas e promessas genéricas. Rondônia não pode ser reduzida aos cinco maiores colégios eleitorais. Um candidato ao Governo precisa apresentar respostas para o conjunto do território, inclusive para as regiões que não possuem peso suficiente para dominar a agenda de campanha.
A multiplicação de chapas também não significa, necessariamente, multiplicação de projetos. Até agora, a clareza das alianças supera a clareza das propostas. O eleitor consegue identificar candidatos ao Governo, vices, postulantes ao Senado e partidos envolvidos. Ainda não encontra, com a mesma nitidez, diferenças profundas sobre as prioridades que orientarão a próxima administração estadual.
Experiência, diálogo, responsabilidade, renovação e eficiência são palavras presentes em praticamente qualquer campanha. Nenhuma delas, isoladamente, define um projeto. O que separará as candidaturas será a capacidade de transformar conceitos genéricos em compromissos verificáveis. A eleição precisará sair da disputa abstrata entre currículos e avançar para o confronto entre prioridades, métodos e resultados esperados.
Marcos Rogério, Hildon Chaves, Adaílton Fúria, Pedro Abib e Expedito Netto não disputam apenas uma vaga na urna. Disputam o direito de definir os rumos políticos e administrativos de Rondônia. Seus candidatos a vice e ao Senado não são simples adereços eleitorais. Representam alianças, regiões, interesses partidários e estratégias de poder que influenciarão a campanha e, eventualmente, um futuro governo.
As convenções cumprem a função de organizar esse tabuleiro, mas não podem ser tratadas como demonstrações suficientes de capacidade política. Reunir partidos não equivale a reunir soluções. Aclamar candidatos não significa validar projetos. Produzir uma fotografia de unidade não elimina divergências internas nem responde aos problemas que atravessam o Estado.
A eleição de 2026 começa marcada por abundância de candidatos e escassez de definições programáticas. Os grupos já sabem quais espaços desejam ocupar. O eleitor ainda precisa saber o que cada um pretende fazer depois de ocupá-los.
Rondônia entra na disputa com cinco candidaturas relevantes ao Governo, vários nomes competitivos para o Senado e alianças capazes de dividir o Estado em diferentes campos. O cenário promete uma campanha dura, fragmentada e carregada de confronto. A guerra pelo poder já começou. O debate sobre o futuro de Rondônia, porém, ainda precisa alcançar a mesma intensidade.
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Política OPINIÃO As informações são do site Rondônia Dinâmica.
Texto originalmente publicado em https://www.rondoniadinamica.com/noticias/2026/07/a-guerra-pelo-poder-comecou-rondonia-fecha-chapas-para-2026-enquanto-os-projetos-continuam-em-segundo-plano,250411.shtml. A reprodução é permitida desde que citada a fonte e incluído o link para o artigo original. Respeite os direitos autorais e compartilhe com responsabilidade.
Fonte/Créditos: Por Redação | Rondônia Dinâmica Publicada em 29/07/2026 às 11h43

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