Três anos e meio após assumir o segundo mandato, o governador de Rondônia, Coronel Marcos Rocha (PSD), chega à reta final da gestão com menos da metade das promessas de campanha integralmente cumpridas. É o que revela o levantamento do projeto Promessas dos Políticos, do g1, portal de notícias das Organizações Globo, que monitorou os 21 compromissos apresentados pelo então candidato durante a campanha eleitoral de 2022.
O balanço mostra que apenas 10 promessas (47,6%) foram efetivamente cumpridas. Outras três (14,3%) tiveram execução parcial e permanecem com pendências, enquanto oito compromissos (38,1%) continuam sem terem sido concretizados.

Na prática, os números revelam um governo que conseguiu avançar em projetos administrativos, de infraestrutura e segurança pública, mas que deixa lacunas importantes justamente em áreas consideradas prioritárias pela população, como saúde, atendimento às mulheres vítimas de violência, educação inclusiva e cultura.
O maior exemplo desse cenário é o Hospital de Urgência e Emergência de Rondônia (HEURO).
Anunciado como a principal obra da saúde estadual e uma das vitrines da campanha de reeleição, o hospital deveria representar a solução para um problema histórico enfrentado pelo Hospital e Pronto-Socorro João Paulo II, referência em atendimento de urgência e emergência no estado, mas há anos marcado por superlotação, pacientes acomodados em corredores e limitações estruturais.
Entretanto, três anos e meio depois, o empreendimento permanece sem conclusão.
Segundo o levantamento do G1, o contrato original da obra foi rescindido após dificuldades operacionais enfrentadas pela empresa responsável. Desde então, o governo estadual passou a estudar uma alternativa diferente da prometida em campanha: a aquisição de um prédio pronto para adaptá-lo ao funcionamento hospitalar.
A indefinição em torno do empreendimento ganhou um novo capítulo neste ano. Em julho, a Assembleia Legislativa de Rondônia aprovou o Projeto de Lei nº 1.489/2026, autorizando o Poder Executivo a remanejar R$ 231,5 milhões inicialmente previstos para a implantação do HEURO. Embora o governo sustente que a medida representa apenas uma adequação técnica da programação orçamentária, na prática o projeto permitiu a anulação de dotações destinadas ao hospital para abertura de créditos voltados a outras áreas da administração estadual. O remanejamento reacendeu o debate sobre a condução da principal obra da saúde pública de Rondônia e aumentou os questionamentos sobre quando, de fato, o hospital será entregue à população.

Na avaliação prática, isso significa que a principal promessa da saúde pública feita durante a campanha eleitoral não foi entregue à população. A consequência direta é a manutenção da pressão sobre o Hospital João Paulo II, que continua sendo o principal destino dos casos de alta complexidade do estado. Além disso, a retirada de mais de R$ 231 milhões do orçamento originalmente reservado ao HEURO reforça as dúvidas sobre a prioridade conferida pelo governo ao empreendimento e alimenta críticas de que a obra corre o risco de se transformar em mais um projeto inacabado, aguardado pelos rondonienses há mais de uma década.
Com pouco mais de cinco meses para o fim do mandato, o levantamento do G1 indica que o governo Marcos Rocha entra na reta final da gestão tendo cumprido integralmente menos da metade das promessas apresentadas aos eleitores em 2022. Entre os compromissos pendentes, a conclusão do HEURO concentra a maior expectativa da população por se tratar de uma obra considerada estratégica para a reestruturação da saúde pública estadual. Sem a entrega do hospital e com parte dos recursos originalmente destinados ao empreendimento remanejada para outras áreas, o projeto deverá ser um dos principais desafios da próxima administração estadual. Assim, a conclusão do HEURO tende a figurar entre as prioridades do próximo governo, que herdará a responsabilidade de definir o futuro de uma obra aguardada há mais de uma década pelos rondonienses.
Fonte/Créditos: Por: Emerson Barbosa


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