Por aqui, há alguns anos, mesmo com o reconhecimento do Poder Judiciário como o fiel da balança, continuamos sem encontrar uma saída para conter a criminalidade.
Os mais velhos se lembram como os pais indicavam o caminho melhor para uma vida segura e livre: “Faça o certo, que não dará errado!”
Parece que a nossa sociedade está permitindo que àqueles que vivem à margem da lei sigam construindo carreiras a ponto de marginais se apresentarem como candidatos à cargos públicos mesmo possuindo “Folha Corrida” com dezenas de passagens pela Justiça e órgãos policiais, além de relações íntimas com facções criminosas que ao longo dos anos estão infiltradas nos poderes constituídos.
Não acredito que Beccaria tenha imaginado um sistema em que o cumprimento das penas de autores de pequenos delitos, ao entrarem no complexo penitenciário, pudessem se transformar em hábeis e disfarçados criminosos de alta periculosidade.
A origem do problema não é só da desagregação das famílias, do descrédito no ensino, ou na falta de educação; quero crer que o desconhecimento do eleitor da realidade dos delitos praticados por candidatos no passado, possam ser perdoados após o cumprimento da pena.
Ora, os crimes cometidos por cidadãos de bem, eventualmente, não devem ter a repulsa da sociedade. É necessário aceitar e conviver com aqueles que infringiram a lei possam retornar ao convívio social e retornando ao trabalho ou estudo.
O que não é possível, entendo eu, que políticos condenados por corrupção de quaisquer espécies sejam acolhidos por partidos políticos, em alguns casos, controlados pelos mesmos políticos afastados durante algum tempo por força de condenação.
Voltam, os candidatos, com o mesmo discurso de construtores de benefícios ao eleitor e que merecem uma segunda chance. Não devemos nos encantar com as cantigas de encantadores de cobras. Nada do que foi entregue ao eleitor deve ser motivo de, novamente, receber o sagrado voto.
Diz-se que, no Brasil, na política se morre várias vezes e a ressureição depende da lábia do candidato. É verdade! Com decisões judiciais que aguardam anos para, afinal, se
decidir pela anulação de sentenças favorecendo indivíduos que, em países civilizados, nunca mais seriam votados, mesmo queretornem à vida pública com a habilidade dos prestigiadores. É preciso manter os olhos abertos!
Fonte/Créditos: Diário do Poder/ Paulo Castelo Branco Mais artigos
