Correio da Mata- Sua fonte de notícias na cidade de Rolim de Moura

MENU

Notícias / ARTIGO

E AÍ, MINEIRO WAY? É DE BH, Uberaba, Uberlândia ou baiano cansado?

O aspecto mais importante dessa história é que ambos os lados saíram ganhando.

E AÍ, MINEIRO WAY? É DE BH, Uberaba, Uberlândia ou baiano cansado?
A-
A+
Use este espaço apenas para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.
enviando

Porto Velho

Por Juvenil Coelho

Durante décadas, especialmente entre os anos 1960 e 1990, essa era uma das formas mais comuns e relativamente cordiais com que muitos paulistanos recepcionavam os milhares de migrantes que chegavam a São Paulo em busca de emprego, oportunidades e uma vida mais segura.

Publicidade

Leia Também:

Uma das explicações para esse tratamento menos hostil aos mineiros estava na histórica proximidade entre São Paulo e Minas Gerais, consolidada desde os tempos da chamada República do Café com Leite. Foi uma aliança política que marcou época e produziu lideranças respeitadas até hoje, como Juscelino Kubitschek e Tancredo Neves.

Bem diferente era a realidade enfrentada pelos migrantes nordestinos. Termos como "pau de arara", "orelha seca" e outros apelidos pejorativos eram frequentemente utilizados para rotulá-los. Havia uma visão preconceituosa e injusta que enxergava esses trabalhadores como uma ameaça, quando, na verdade, contribuíam decisivamente para o crescimento econômico paulista.

Felizmente, o tempo ajudou a corrigir essa distorção. Hoje existe um reconhecimento cada vez maior de que São Paulo não teria alcançado sua posição de destaque sem a força de trabalho dos milhões de brasileiros vindos do Nordeste. A construção civil, a indústria e boa parte do comércio da maior metrópole do país foram erguidos com o esforço desses migrantes.

O aspecto mais importante dessa história é que ambos os lados saíram ganhando. São Paulo recebeu trabalhadores dedicados; os migrantes encontraram oportunidades para construir uma vida melhor. Foi uma relação de benefícios mútuos que ajudou a moldar o Brasil moderno.

Nesse contexto surge a trajetória de um desses operários que participou desse grande movimento migratório. Tornou-se torneiro mecânico nas indústrias do ABC Paulista e, posteriormente, alcançou projeção internacional como liderança política. Mais importante do que citar seu nome é observar sua capacidade de construir pontes e dialogar com diferentes regiões do país.

Sua habilidade política mais marcante foi estabelecer conexões com os três maiores colégios eleitorais brasileiros: São Paulo, Minas Gerais e o Nordeste. Essa estratégia foi fundamental para suas vitórias eleitorais e para sua permanência como uma das figuras centrais da política nacional.

Independentemente das preferências partidárias de cada cidadão, é inegável que a democracia se fortalece quando as disputas eleitorais ocorrem por meio do debate de ideias, da participação popular e do respeito às instituições. Eleições não devem ser vistas apenas como competição pelo poder, mas como oportunidades para a sociedade discutir os rumos do país.

Quem sabe, em algum momento da história, outro mineiro volte a desempenhar papel decisivo na preservação da República. A política brasileira sempre reserva surpresas.

O autor é jornalista, analista político e diretor do Instituto Phoenix de Pesquisa.

Fonte/Créditos: Por Juvenil Coelho

Comentários:

Crie sua conta e confira as vantagens do Portal

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!

Fale conosco!