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PLENÁRIO  'O PIX é do Bolsonaro', diz Coronel Chrisóstomo em discurso na Câmara durante votação sobre terra indígena

Deputado federal por Rondônia defendeu voto favorável à urgência de PDL relacionado ao Morro dos Cavalos, em Santa Catarina, e usou a fala para criticar o governo Lula, defender exploração mineral por indígenas e atribuir a criação do Pix ao ex-presidente Jair Bolsonaro

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PORTO VELHO, RO - O deputado federal Coronel Chrisóstomo (PL-RO) afirmou, durante sessão da Câmara dos Deputados, que o PIX seria uma criação do ex-presidente Jair Bolsonaro, do PL. A declaração foi feita em meio à orientação da Oposição pelo voto “sim” a um requerimento de urgência relacionado a um Projeto de Decreto Legislativo sobre a Terra Indígena Morro dos Cavalos, em Santa Catarina.

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No discurso, Chrisóstomo disse: “Que PIX? Vocês não sabem nada. Rapaz, o PIX é do Bolsonaro, o PIX é do Bolsonaro. Bolsonaro, que deve estar nos ouvindo, parabéns pelo PIX. O Brasil o aplaude, Bolsonaro! E está na hora de o senhor voltar. Eu estou sentindo que o senhor vai voltar. Que Deus nos abençoe, porque o Brasil precisa do senhor”.

A manifestação ocorreu após o parlamentar declarar apoio à urgência da matéria. Antes de entrar no tema do PIX, Chrisóstomo afirmou que falava como indígena e se apresentou como integrante do povo tukano. “Prestem atenção! Ouçam bem, porque aqui está falando um indígena de verdade, não é de mentira, não! Sou tukano, com ‘k’; filho de tukana, com ‘k’”, declarou.

O contexto da votação era a tramitação acelerada de uma proposta envolvendo a Terra Indígena Morro dos Cavalos. Parlamentares favoráveis ao requerimento defenderam que o caso envolvia moradores e famílias com documentos antigos de propriedade na região. Já parlamentares contrários sustentaram que a demarcação de terras indígenas é ato administrativo do Poder Executivo e alertaram para o risco de precedente contra demarcações já realizadas.

Chrisóstomo afirmou que a Oposição votaria “sim” e vinculou sua posição à defesa de propriedade privada, trabalho indígena e exploração de recursos naturais. Segundo ele, “indígena não quer saber de ilegalidade, indígena não quer tirar gente da terra que tem título, que tem documento”. O deputado também afirmou que “indígena quer trabalhar, indígena quer sua terra ser explorada por ele de verdade, corretamente”.

Durante a fala, o parlamentar disse que áreas indígenas não seriam desmatadas e defendeu que indígenas possam explorar minérios em seus territórios. “Vocês já notaram que área de indígena não é desmatada? Já notaram isso? Vocês já viram alguma aldeia desmatada? Indígena não desmata, não, porque ele sabe que precisa daquela selva, daquela mata. Indígena não quer ilegalidade, não. Eles querem trabalhar, explorar sua terra, explorar o seu minério”, afirmou.

Chrisóstomo citou Guajará-Mirim, município de Rondônia, e disse que há 39 aldeias na região. Segundo o parlamentar, os indígenas “querem uma vida melhor” e não querem depender apenas de benefícios sociais. “Eles querem usar sua força, o seu conhecimento da natureza e progredir junto com as suas famílias, cuidar das suas crianças, cuidar do seu espaço”, declarou.

Na sequência, o deputado passou a criticar o governo federal, acusou adversários políticos de mentir sobre a situação dos indígenas e defendeu a exploração mineral em terras indígenas. “Lá em Rondônia há uma vastidão de minérios nas aldeias, mas eles são impedidos de trabalhar. Vivem e dormem em cima desses minérios, vivem na miséria. E esse Governo enche aquelas pessoas de cesta básica”, afirmou.

O parlamentar também associou o tema indígena à faixa de fronteira e às Forças Armadas. Ele disse ter atuado durante anos na Amazônia e afirmou que a região exige apoio do Estado. “Vocês não sabem o que é viver na faixa de fronteira. A bala come solta lá, rapaz! O fuzil canta de manhã, de tarde e de noite”, declarou.

Ao tratar da presença militar em áreas remotas, Chrisóstomo citou Surucucu e afirmou que indígenas da região vivem em condições de isolamento. “Vocês não sabem o que é um indígena lá do Surucucu. No Surucucu estão eles e a selva. Há um aeroporto pequeno e 40 militares para tomar conta deles e da faixa de fronteira, no meio da selva. Nada chega lá, gente”, disse.

No encerramento, o deputado voltou ao tema da votação e reafirmou o apoio à urgência. “Portanto, senhores, ratifico que sou a favor da urgência, mas façam bem feito. Chega de fazer mal feito! O Brasil não quer mais isso!”, afirmou. Em seguida, encerrou com nova referência ao ex-presidente: “Bolsonaro, um abraço, meu amigo! Sai daí e vem para cá!”.

Estadão Verifica já havia desmentido atribuição do PIX a Bolsonaro

A afirmação de Coronel Chrisóstomo de que “o PIX é do Bolsonaro” é falsa conforme checagem publicada em 2022 pelo Estadão Verifica, em conteúdo produzido pelo Projeto Comprova. À época, a verificação classificou como enganosa a alegação de que Jair Bolsonaro teria criado o sistema de pagamento instantâneo.

Segundo a checagem, o PIX foi lançado em novembro de 2020, durante o governo Bolsonaro, mas começou a ser preparado antes, ainda no governo Michel Temer, do MDB. O material informou que, em maio de 2018, seis meses antes da eleição presidencial vencida por Bolsonaro, o Banco Central instituiu um grupo de trabalho sobre pagamentos instantâneos.

A checagem também registrou que o sistema foi desenvolvido por equipe técnica do Banco Central. O próprio Banco Central informou, segundo o material, que o PIX foi resultado de um processo evolutivo, com etapas realizadas em diferentes períodos administrativos. O sindicato dos funcionários do Banco Central também afirmou que o sistema foi criado e implementado por servidores concursados da instituição, e não por um governante específico.

O Estadão Verifica relatou ainda que, no dia em que o PIX começou a funcionar no país, em 16 de novembro de 2020, Bolsonaro demonstrou desconhecimento sobre o sistema ao ser abordado por um apoiador. De acordo com a checagem, ao ouvir elogio sobre o PIX, o então presidente respondeu inicialmente mencionando aviação civil e, depois, disse que não havia tomado conhecimento do assunto.

Dessa forma, embora o lançamento oficial tenha ocorrido durante o governo Bolsonaro, a informação de que Bolsonaro criou o PIX é falsa porque o sistema foi concebido e desenvolvido pelo Banco Central, com preparação iniciada antes da gestão dele e execução técnica conduzida pela autarquia.
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Política PLENÁRIO As informações são do site Rondônia Dinâmica.

Texto originalmente publicado em https://www.rondoniadinamica.com/noticias/2026/06/o-pix-e-do-bolsonaro-diz-coronel-chrisostomo-em-discurso-na-camara-durante-votacao-sobre-terra-indigena,247255.shtml

Fonte/Créditos: Por Redação | Rondônia Dinâmica Publicada em 18/06/2026 às 10h42

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