
O rito processual avançou dentro de uma semana desde que Camisotti propôs à Polícia Federal a a delação premiada no âmbito da investigação que o mantém preso há sete meses. O movimento deixa em alerta a classe política por ter potencial de atingir autoridades e suspeitos de ambos os governos do presidente Lula (PT) e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O acordo foi proposto após dez depoimentos de Camisotti à PF em São Paulo, e depois que o potencial delator ser transferido do presídio de Guarulhos para fechar a colaboração premiada na Superintendência da PF. Mas ainda não prevê um valor exato sobre valores a serem devolvidos pelo delator, porque tal ressarcimento depende do montante total faturado pelos criminosos.
Enquanto governistas desejam mais elementos sobre atos do governo anterior em relação às fraudes, opositores da gestão petista anseiam por novas informações sobre Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como “Lulinha”, filho do atual chefe do governo do Brasil.
Mauricio Camisotti foi preso com Careca do INSS e admitiu fraudes contra aposentados e pensionistas. (Foto: Reprodução/Instagram/@mauriciocamisotti)
A roubalheira foi estimada entre R$ 7 bilhões e R$ 10,5 bilhões, pela CPMI do INSS, entre 2015 a 2025, envolvendo 47 entidades associativas e sindicatos acusados de lesar 10 milhões de aposentados e pensionistas. E Camisotti é acusado de operar os descontos associativos fraudulentos que atingiram as vidas de brasileiros vulneráveis.
A PF concluiu que há elementos suficientes para a delação ser aceita. Mas cabe à PGR um parecer legal para o STF, porque à cúpula do Ministério Público cabe a legitimidade de ser titular da ação penal sobre o caso.
A delação exige que sejam expostos fatos e crimes que apresentem novos indícios e extrapolem o conjunto de provas e suspeitos já reunidos desde a Operação Sem Desconto, deflagrada há um ano.
Na semana passada, o relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar, cobrou que Camisotti delate políticos e autoridades envolvidos nos crimes monstruosos. E demonstrou a esperança de que a delação pioneira inspire outra delação importante, de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, preso no mesmo dia de Camisotti como outro dos maiores líderes da organização criminosa.
Fonte/Créditos: Davi Soares/Diário do Poder
Créditos (Imagem de capa): (Foto: Rosinei Coutinho/STF).17/04/2026 14:15 | Atualizado 17/04/2026 18:34