COLUNA FALANDO SÉRIO

Campanha em círculo: muito barulho, muita agenda e pouca clareza sobre onde estão os votos
CARO LEITOR, há campanha que parece uma fábrica funcionando 24 horas, mas, quando alguém pergunta quantos votos já foram conquistados, instala-se o silêncio. A equipe corre, reúne, grava, posta, fotografa e distribui agenda como se eleição fosse maratona de ocupação. Só esqueceram de combinar com o eleitor. O problema aparece quando a urgência manda mais que a estratégia. Cada dia surge uma prioridade, cada grupo apresenta uma ideia e cada rede social ganha um conteúdo diferente. No fim, produz-se muito, mas ninguém sabe qual mensagem ficou na cabeça do eleitor, se é que alguma ficou. Campanha não se ganha com agenda cheia, grupo de WhatsApp fervendo ou postagem acumulando curtidas. Ganha-se sabendo onde estão os votos, quem precisa ser convencido e qual mensagem deve ser repetida até virar memória. Se a candidatura continua no mesmo lugar, talvez não esteja faltando empenho. Está faltando rumo. E eleição não perdoa quem confunde movimento com avanço.
Percepção
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Todo mundo tem uma percepção sobre a campanha, mas percepção não é pesquisa e opinião não é dado. O achismo virou bússola de muitas candidaturas: todos opinam, poucos medem. Sem números, monitoramento e evidências, estratégia vira palpite e eleição não se ganha no achismo.
Bolha
O candidato aparece em todo lugar, mas continua sendo pouco comentado fora da própria bolha. É muita exposição para pouco impacto. Se só os apoiadores falam dele, a campanha não está ampliando seu eleitorado.
Prejuízo
A equipe muda a estratégia toda vez que o adversário faz um movimento. Isso não é estratégia eleitoral, é reação. Campanha que vive de responder ao concorrente perde identidade, abandona sua agenda e deixa o adversário pautar a eleição. No fim, corre atrás do prejuízo.
Desorganização
Quando ninguém sabe exatamente onde estão os votos, a desorganização cobra a conta: recursos são desperdiçados, lideranças ficam sem orientação, agendas perdem prioridade e oportunidades são ignoradas. No fim, a campanha corre muito, mas chega tarde onde deveria estar.
Consultor I
O marqueteiro cuida da comunicação, da imagem e, principalmente, da mensagem que chega ao eleitor, conquista sua atenção e faz permanecer na sua memória. O consultor de marketing eleitoral pensa o jogo: analisa dados, mapeia votos, identifica riscos, antecipa movimentos e orienta decisões. Seu valor está em transformar informação em estratégia e estratégia em vantagem eleitoral.
Consultor II
Basta acessar meus perfis no Facebook, Instagram, X e LinkedIn: não me apresento como marqueteiro, mas como consultor em marketing eleitoral, professor, jornalista e palestrante. Meu foco é estudar estratégias eleitorais, analisar e atuar como consultor em marketing político e eleitoral.
Exige
As mensagens entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, somadas aos episódios envolvendo André Mendonça, lançaram novas dúvidas sobre a relação entre magistrados do STF e o banqueiro. O caso exige transparência, apuração rigorosa e respostas públicas.
Credibilidade
Se o Brasil pretende preservar a credibilidade de suas instituições, ninguém envolvido em fatos sob investigação pode tratar o episódio como assunto menor. Havendo conflito de interesses ou quebra de confiança, afastamentos e renúncias devem ser considerados em relação aos ministros do STF envolvidos no escândalo do Banco Master.
Voz
O senador Marcos Rogério (PL) e os deputados federais Fernando Máximo (PL), Coronel Chrisóstomo (PL) e Cristiane Lopes (Podemos), foram os únicos da bancada federal a levantar a voz contra os ministros do STF citados no escândalo do Banco Master. Para os demais, o silêncio parece ter sido mais conveniente que a cobrança.
Longe
O deputado Thiago Flores (União) foi além: atacou o presidente do Senado, David Alcolumbre (União-AP), do próprio partido, ao comentar o jantar secreto entre ele, o presidente Lula (PT-SP) e o ministro Alexandre de Moraes do STF. Flores previu o arquivamento das investigações do Banco Master.
Endureceu
O candidato a senador Bruno Bolsonaro Scheid (PL) endureceu o tom contra Alexandre de Moraes e afirmou que, num país sério, o ministro já teria sido afastado do STF. Também relembrou as perseguições de Moraes ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Porta
Falando em perseguições, o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) quer o candidato a senador Bruno Bolsonaro Scheid (PL) à frente das demandas fundiárias de Rondônia junto à Presidência. O gesto fortalece o candidato ao Senado e sinaliza que ele pretende chegar a Brasília com a porta do Palácio do Planalto aberta.
Contra
Na CCJ do Senado, Jaime Bagattoli (PL) ficou entre os quatro votos contrários à PEC 221/2019, que acaba com a escala 6×1 e reduz a jornada. A posição certamente renderá munição para o debate eleitoral.
Internacional
O governador Coronel Marcos Rocha (PSD) faz outra viagem internacional, enquanto o presidente do TJRO, desembargador Alexandre Miguel, assume novamente o Governo. Viajar não é o problema; a questão é a transparência sobre agendas, comitivas e resultados das viagens.
Problema
Falando em problema, Adailton Fúria (PSD) trocou o comando do marketing e demitiu João Kaleche. A mudança expõe turbulência na campanha: sem o marqueteiro, Fúria assume a comunicação. Quando a estratégia muda no meio do jogo, o alerta acende.
Negou
Em conversa com a coluna no início da noite de ontem (3), João Kaleche negou que sua saída da campanha de Adailton Fúria (PSD) tenha relação com o desempenho do candidato no último debate e muito menos com o episódio dos R$ 14 milhões em emendas atribuídos por Fúria (PSD) ao senador Marcos Rogério (PL) para o Memorial da Bíblia, em Brasília.
Desmentiu
Falando em episódio, A Frente Parlamentar Evangélica desmentiu Adailton Fúria (PSD) sobre os R$ 14 milhões para o Museu da Bíblia. Segundo a entidade, Marcos Rogério (PL) destinou cerca de R$ 480 mil; o restante veio de outros parlamentares. A acusação virou desgaste no meio evangélico.
Sustenta
Nos bastidores, a maior dificuldade de Fúria seria justamente sua dependência de Marcos Rocha. Como separar sua imagem da de quem o apoia, preside o PSD e ainda controla o grupo que sustenta politicamente e financeiramente sua candidatura?
Rompimento
A coluna recebeu informações de bastidores da campanha de que Fúria (PSD) estaria ensaiando um rompimento com o governador Marcos Rocha (PSD), numa tentativa de esconder do eleitor sua condição de candidato governista. Se confirmado, será como Pedro: negou Jesus três vezes antes de o galo cantar.
Estratégia
Para João Kaleche, Marcos Rocha (PSD) até ajuda Fúria ao manter distância da campanha. Mas avalia a estratégia como equivocada: pesquisas indicam que o governador e sua gestão não têm rejeição suficiente para justificar esse afastamento. Esse mesmo erro identifique nas eleições de 2020 em Nova Mamoré quando passado as eleições municipais.
Difícil
João Kaleche não deixou a campanha de Fúria (PSD) por incompetência, mas pelo estilo do candidato. Como José Serra (PSDB), Fúria quer ser candidato, marqueteiro e estrategista, ou seja, quer fazer tudo à sua maneira. Genial ou não, esse perfil torna difícil trabalhar com um marqueteiro.
Assume
Vale destacar que o trabalho de João Kaleche ajudou Fúria (PSD) a chegar ao empate técnico com Marcos Rogério (PL) na pesquisa Quaest (RO-05711/2026 e BR-00490/2026). Agora, Fúria assume o volante para mudar os rumos da disputa. A pergunta é: vai reagir ou derreter na urna?
Rejeitou
O TRE-RO rejeitou na tarde de ontem (03), por unanimidade, a adesão do PSB à coligação Fé Rondônia, formada por PT e Rede/Psol. A decisão mantém Samuel Costa (PSB) na disputa pelo Governo e representa uma derrota para a intervenção da direção nacional do partido.
Considerou
A Justiça Eleitoral considerou irregular a destituição do comando do PSB em Rondônia por um interventor de fora do Estado. Samuel Costa (PSB) comemora a vitória e diz que sua candidatura representa renovação e resistência à pressão partidária.
Força
Na BR-429, Alan Queiroz (PL) demonstra força regional ao reunir o apoio de lideranças políticas de diferentes municípios. Na busca pela reeleição, o deputado consolida uma base no interior e amplia sua presença eleitoral em uma das regiões estratégicas de Rondônia.
Jogo
O TRE-RO deferiu a candidatura de Arismar Araújo (PP) a deputado estadual e rejeitou a tentativa do Avante de barrar sua disputa. A decisão mantém o progressista no jogo e fortalece a chapa da federação partidária União Progressista (UP) em 2026. Vitória dos advogados Juacy Louras JR e Manoel Verissimo.
Disputa
Com a candidatura de Arismar confirmada, a disputa interna da federação ganha temperatura. A aposta por três cadeiras coloca Ieda Chaves, Noeli Deiró, Ismael Crispim e Arismar numa briga voto a voto pelo espaço da União Progressista (UP).
Vitória
Os advogados Juacy Louras JR e Manoel Verissimo tiveram uma vitória importantíssima. O TRE-RO suspendeu a cassação de mandatos e a retotalização dos votos para vereador em Candeias do Jamari. A decisão congela, por enquanto, a mudança na composição da Câmara Municipal e evita uma nova dança das cadeiras.
Efeito
A decisão beneficia o vereador Euclides da Triunfo, do União Brasil, que buscava efeito suspensivo para permanecer no mandato e na presidência da Câmara Municipal no biênio 2027-2028. Até lá, Candeias fica em compasso de espera: a urna e a Justiça ainda não deram a palavra final sobre quem, de fato, deve ocupar as cadeiras.
Sério
Falando sério: marqueteiro que deixa o jogo, candidato que quer ser seu próprio marqueteiro, intervenção partidária barrada pela Justiça e a fake news de Fúria sobre a suposta emenda de R$ 14 milhões de Marcos Rogério para o Memorial da Bíblia, desmentida oficialmente pela Frente Parlamentar Evangélica, ferve a eleição. Contudo, quando falta freio, até quem acelera pode acabar fora da pista.
Fonte/Créditos: Por Herbert Lins

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