COLUNA FALANDO SÉRIO

Governar não é discursar: a história mostra que falar bonito não significa entregar resultados
CARO LEITOR, Hoje é dia de #TBT e de mergulhar na história para lembrar que, na política, falar bem nunca foi sinônimo de governar bem. George VI, da Inglaterra (1895-1952), Dwight D. Eisenhower, presidente dos EUA (1953-1961), e Eurico Gaspar Dutra, presidente do Brasil (1946-1950), tinham dificuldades como oradores, mas deixaram marcas como gestores. A lição parece esquecida: governante não é apresentador de televisão, nem candidato a concurso de oratória. Discurso bonito pode render aplausos e curtidas; gestão competente exige planejamento, decisões e trabalho para entregar resultados. No fim, a história é menos generosa com quem fala muito e entrega pouco. Na política, a voz impressiona, mas as realizações permanecem na memória da população.
Liderança
Leia Também:
George VI, rei da Inglaterra – filme O Discurso do Rei, sofreu com severa gagueira desde a infância e tinha pânico de microfones e do rádio. Evitava discursos, mas tornou-se uma liderança firme durante um dos períodos mais dramáticos do século XX e superação pessoal.
Símbolo
Em 1936, George VI assumiu o trono após a abdicação do irmão, às vésperas da Segunda Guerra. Sem poder executivo, apoiou Churchill, visitou frentes de batalha e recusou deixar o palácio durante o Blitz, tornando-se símbolo de resistência as tropas de Adolfo Hitler.
Coragem
Enquanto as bombas caíam sobre Londres, George VI permaneceu ao lado da população, transmitindo estabilidade e coragem. Sua trajetória mostra que liderança não depende de discursos brilhantes, mas de presença, firmeza e coragem nas crises.
Força
Nos Estados Unidos, Dwight D. Eisenhower, presidente entre 1953 e 1961, também não era um grande orador. Sua força estava na organização no planejamento e na capacidade de transformar decisões em ações concretas, com foco em bons resultados.
Liderou
Eisenhower criou a NASA, DARPA, equilibrou o orçamento 3 vezes e manteve 8 anos de crescimento sem recessão e sem guerra direta e liderou o Interstate Highway System, 66 mil km de autoestradas, a maior obra pública dos EUA até hoje, modernizando a infraestrutura e impulsionando a integração econômica e social do país e da população.
Estilo
Jornalistas chamavam seu estilo de “Eisenhowerese”. Frases longas, confusas, cheias de rodeios, sem nenhum brilho retórico. Perdia-se no meio do raciocínio. Era avesso a discursos e viciado em organogramas e reuniões de trabalho, deixando uma lição: governar exige menos espetáculo e mais capacidade para transformar projetos em resultados reais.
Pragmático
Eurico Gaspar Dutra presidiu o Brasil de 1946 a 1950. Tímido, de voz monótona e pouco carismático, não era reconhecido pela oratória. Evitava debates e improvisos, mas compensava a falta de eloquência com um perfil administrativo pragmático e disciplinado.
Marcado
O governo Dutra ficou marcado pelo Plano SALTE, voltado à Saúde, Alimentação, Transporte e Energia. Em seu governo, avançaram projetos estratégicos como a consolidação da CSN, a criação da CHESF e a construção da hidrelétrica de Paulo Afonso, fundamentais para o desenvolvimento nacional.
Lição
Seu governo também ampliou a malha rodoviária, incluindo a ligação Rio-São Paulo, embrião da atual Rodovia Presidente Dutra, e criou a Escola Superior de Guerra. A lição é clara: na política, oratória pode conquistar aplausos, mas é a capacidade de administrar que deixa resultados concretos.
Debate
Este é o segundo debate em que Hildon Chaves (União) não consegue apresentar um bom desempenho. O histórico, porém, não é novidade: em 2016 e 2020, também enfrentou dificuldades para expor propostas e, em algumas ocasiões, recorreu a frases de efeito para se destacar.
Demonstra
Hildon Chaves (União) está longe de ser um Joe Biden, que deixou a disputa presidencial dos EUA em meio a questionamentos sobre sua capacidade cognitiva. Hildon demonstra preparo fora dos debates, destacando-se em entrevistas, conversas e programas eleitorais. O problema parece estar no formato: diante dos adversários, perde fluidez, objetividade e força na apresentação das propostas.
Esquentou
Um passarinho de Rolim de Moura me contou que, nas eleições de 2016, o jornalista Robson Oliveira chegou a se desentender com Hildon Chaves (PSDB), então candidato à Prefeitura de Porto Velho. O clima esquentou a ponto de Robson desistir do media training para preparar Hildon para os debates. O passarinho, porém, entrou em cena e conseguiu convencê-lo a retomar o trabalho.
Relembro
Nas eleições de 2020, quando Hildon Chaves (União) disputou a reeleição, contou com o media training de Ivonete Gomes e Rude Prado. Agora, em 2026, como consultor em marketing eleitoral, relembro que, após a entrevista com Everton Leoni, conversei pessoalmente com Hildon em sua residência.
Explorar
Após nossa conversa, preparei o conceito “Ele fez, ele faz”, com caminhos para o discurso. A estratégia não é transformar o perfil de Hildon Chaves (União), mas explorar seu maior ativo: a experiência de quem já entregou resultados.
Performático
Hildon Chaves (União) não precisa ser o candidato performático idealizado pelo marqueteiro, nem viver apenas do passado como ex-prefeito. Precisa ser o promotor de Justiça que fez como prefeito e que, como governador, poderá fazer muito mais.
Tiozão
Hildon Chaves (União), aos 58 anos, é o “tiozão” da campanha ao governo e carrega o legado de oito anos de gestão austera e sem manchas de corrupção à frente da Prefeitura de Porto Velho. Não venceu os dois primeiros debates, mas sabe que governar vai muito além de um discurso bonito: é entregar obras, organizar a máquina pública e fazê-la funcionar.
Netto
O candidato a governador Expedito Netto (PT) se saiu bem no debate da Rema TV e demonstrou autocontrole diante dos ataques de Samuel Costa (PSB). Estratégia é clara: “Lula lá e Netto aqui”, reforçando sua condição de candidato do presidente Lula (PT-SP) em Rondônia.
Polarizada
Se os 25% dos eleitores lulistas de Rondônia entenderem que devem votar em Expedito Netto (PT), o petista pode crescer e chegar ao segundo turno. Nesse cenário, a disputa poderá ser polarizada com o candidato do PL, senador Marcos Rogério, em 2026 direta.
Negar
O candidato ao Senado Bruno Bolsonaro Scheid e a candidata a deputada federal Sofia Andrade, ambos do PL, publicaram vídeos para negar categoricamente qualquer rompimento entre eles e rebater rumores espalhados nas redes sociais.
Carimbar
Falando em Bolsonaro, o bolsonarismo de Rondônia começa a ensaiar uma jogada que pode mexer com a disputa pelo Senado: votar em Bruno Bolsonaro Scheid (PL) e “carimbar” o segundo voto em Mariana Carvalho (Republicanos).
Dobradinha
A justificativa é simples: a proximidade de Mariana Carvalho (Republicanos) com Flávio Bolsonaro (PL). Se a tese pegar nos grupos de WhatsApp de direita, adversários terão de explicar como enfrentar uma dobradinha que mistura o voto raiz do bolsonarismo com a força eleitoral de Mariana.
Rejeitou
A Justiça Eleitoral rejeitou o nome oficial de urna “Jair Montes” de Jair de Figueiredo Monte Junior, candidato a deputado federal pelo Avante. A decisão aponta risco de confusão com a identidade eleitoral construída pelo pai, o ex-deputado estadual Jair Montes.
Opção
Na avaliação da relatora, Jair Junior retirou o “Junior” e alterou “Monte” para “Montes”, reproduzindo integralmente o nome usado pelo pai. O candidato terá dois dias para apresentar uma opção que diferencie sua identidade eleitoral na urna.
Escolher
A decisão não barra a candidatura, mas impede o uso de “Jair Montes” na urna. Entre as alternativas estão “Jair Montes Jr” e “Jair Monte Júnior”. Se não escolher, deverá concorrer usando o próprio nome civil no pleito de 2026 em Rondônia.
Perseguido
O ex-deputado Jair Montes (Avante) se diz perseguido pela Justiça ao ver o filho proibido de usar seu próprio nome. E levanta uma lebre: “Paulo Moraes Júnior” usa o nome do pai, Paulo Moraes e a justiça não questionou. Para Jair, o pau que bate em Chico não bate em Francisco. Eis a questão.
Intensificando
O deputado estadual Cássio Gois (PSD) vem intensificando a campanha pela reeleição, ampliando sua presença na Região do Café e na Zona da Mata. O deputado aposta na força política construída no interior para consolidar sua votação e garantir mais um mandato.
Lançamento
Em Vilhena, o lançamento da campanha de Laercio Torres (Avante) teve clima de rua e demonstração de força. Com carretinha de som, bandeiras e muita gente, o coro de “Laercio deputado” mostrou que a candidatura quer fazer barulho e conquistar espaço.
Negreiros
A família Negreiros entrou de corpo e alma na eleição de Glaucia Negreiros (Podemos) para deputada estadual. O vereador Gedeão Negreiros (PSDB), marido da candidata, tem sido peça central na mobilização, mostrando que a candidatura conta com uma estrutura familiar disposta a fazer força para transformar apoio em votos e garantir uma cadeira na Assembleia Legislativa.
Sério
Falando sério, entre pesquisas, debates, alianças, provocações e cálculos eleitorais, uma certeza permanece: eleição não se ganha no grito, na foto ou na promessa. No fim, é o voto que separa quem fala bonito de quem chega lá e faz bonito.
Fonte/Créditos: Por Herbert Lins

Comentários: