RESENHA POLÍTICA
RESENHA POLÍTICA

ROBSON OLIVEIRA
INCOMODANDO
A candidatura do ex-prefeito de Pimenta Bueno, delegado Araújo, parece ter adquirido uma qualidade curiosa: quanto mais cresce, mais inimigos fabrica. Na política, isso costuma ser um sinal de que alguém está mexendo em alguma cadeira que tinha dono ou, pior, ameaçando o conforto de quem imaginava que determinadas eleições já vinham com resultado de fábrica.
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ATAQUES
Araújo vem sendo atacado diariamente por conta de uma decisão administrativa do Tribunal de Contas do Estado. Convém, porém, separar o fato da torcida. Houve uma decisão desfavorável? Houve. É definitiva? Não. Está em prazo para recurso? Está. Portanto, até que se esgotem as possibilidades administrativas e jurídicas, transformar uma decisão recorrível em sentença definitiva é, no mínimo, uma modalidade tropical de justiça eleitoral antecipada.
VALA
Mais importante ainda é não permitir que uma questão administrativa seja utilizada para reescrever a história da gestão de Araújo em Pimenta Bueno. Ele pode ser criticado por suas posições ideológicas, por seu estilo político e por aquilo que defende. Democracia serve justamente para isso. O que não parece razoável é tentar colocá-lo na mesma vala de gestores cuja passagem pelo poder foi marcada por escândalos, suspeitas e incompetência.
APROVAÇÃO
Sua administração pode ser discutida, como qualquer outra. Mas há um dado político que os críticos parecem convenientemente esquecer: Araújo conseguiu eleger sua sucessão. Isso não transforma uma gestão em obra-prima administrativa, evidentemente, mas demonstra que houve aprovação popular suficiente para que o grupo político permanecesse no comando do município. E talvez esteja aí a verdadeira explicação para tanta espuma.
VIVO
Uma candidatura competitiva incomoda. Principalmente quando surge numa região onde alguns velhos personagens da política carregam passivos que preferem manter cuidadosamente arquivados no fundo de uma gaveta. Incomoda também setores empresariais que, ao que se comenta nos bastidores, não conseguiram garrotear politicamente o ex-prefeito durante sua administração e agora descobrem que o homem saiu da prefeitura, mas não saiu da política.
DESAFETO
E há uma ironia que não pode ser ignorada nesse episódio. Pimenta Bueno também aparece no radar de uma investigação criminal envolvendo uma alegação de transporte de 250 mil dólares em espécie, supostamente transportados de Mato Grosso para o município e entregues, segundo relatos atribuídos a delações premiadas homologadas pelo Superior Tribunal de Justiça, a um político durante um processo de privatização. E este beneficiário é desafeto do delegado e tem procurado socializar ao delegado e pecha que ele (desafeto) sempre carrega.
GUERRA
Na federação formada por União Brasil e Progressistas, o ambiente está longe da cordialidade que seus dirigentes tentam vender ao público. A disputa interna ganhou contornos de guerra política - e, pelo que se comenta nos bastidores, o problema tem nome, sobrenome e interesses familiares. Maurício Carvalho, que exerce o comando da federação, estaria usando a posição para estabelecer uma distribuição do tempo de rádio e televisão que favorece a candidatura da irmã, Mariana Carvalho, em detrimento da deputada federal Silvia Cristina. E aqui começa a parte mais curiosa da história.
CONDOMÍNIO
Federação partidária deveria ser instrumento de união, não uma espécie de condomínio familiar com regras definidas conforme a conveniência do síndico. Se existem duas forças políticas disputando espaço dentro da mesma estrutura, o mínimo que se espera é equilíbrio, isonomia e paridade de armas. Mas, segundo relatos que circulam no meio político, Silvia Cristina não estaria recebendo tratamento equivalente ao destinado a Mariana. Minutos preciosos de televisão - que, numa eleição, valem ouro - estariam sendo administrados de maneira assimétrica, sem uma justificativa política suficientemente convincente.
IDENTIDADE
Silvia Cristina tem uma candidatura própria, identidade eleitoral e uma pauta que lhe deu visibilidade, especialmente na área da saúde. E justamente por isso parece incomodar. A deputada vem avançando, consolidando presença e ampliando apoios. Recebeu, inclusive, o apoio do prefeito de Porto Velho, Léo Moraes - político que, convém lembrar, derrotou Mariana Carvalho na eleição municipal. Isso ajuda a explicar a temperatura da disputa. E a retaliação.
SEXISMO
E há algo particularmente desagradável nessa história: colocar uma mulher parlamentar diante de um homem que controla a estrutura partidária e tentar constrangê-la a aceitar uma divisão que considera injusta é uma demonstração de força bastante antiga. É o velho método do “manda quem pode”. Não combina com uma democracia moderna.
EXTENSÃO
Maurício Carvalho pode ter o comando formal da federação. O que ele não deveria ter é a compreensão de que esse comando lhe confere uma espécie de procuração familiar para decidir quem merece mais e quem merece menos. Federação partidária não é extensão de família.
EXPLICAÇÕES
Ademais, ainda não ofereceu, publicamente, explicações convincentes sobre a destinação dos cerca de R$ 2 milhões apreendidos pela Polícia Federal em uma ocorrência que envolveu um veículo conduzido por seu motorista, supostamente atribuídos a ele. Não cabe aqui transformar apreensão em culpa - isso seria irresponsabilidade. Mas também não cabe fingir que o episódio nunca aconteceu. A ausência de explicações públicas sobre um assunto dessa magnitude produz exatamente aquilo que todo político deveria evitar: especulação.
SURDEZ
E silêncio, nesses casos, não é necessariamente prudência. Às vezes é apenas silêncio mesmo. E quando a quantia é milionária, ele fica ensurdecedor. Enquanto isso, dentro da federação, a disputa por alguns minutos de televisão revela algo muito maior: a luta pelo controle da máquina eleitoral.
DESIGUALDADE
Silvia Cristina parece disposta a não aceitar que o poder interno seja utilizado para reduzir sua candidatura. E faz bem em defender seus direitos pelos meios institucionais disponíveis. Não há nada de errado em exigir igualdade. Errado seria aceitar calada uma eventual desigualdade apenas porque do outro lado está quem controla a estrutura. A eleição deveria ser uma disputa entre candidatos. Não uma disputa entre candidato e máquina. O eleitor é quem decide. Não o irmão da candidata.
FETICHE
Não há uma explicação razoável para esclarecer qual o motivo do governador viajar em espaço de tempo tão curto para a China que tem uma distância enorme de Rondônia. Não há bagre do Madeira ou peixe nos tanques privados do estado que justifiquem tanto este destino. Mergulhar na tecnologia chinesa ou passear nos cargos elétricos asiáticos sacia o fetiche de muitos marmanjos, mas as reiteradas viagens de um governante à região não se justificam. Uma vez que viaja as dispensas do erário, deveria aproveitar o passeio, e aprender um pouco da medicina milenar chinesa: quem sabe aproveita algo para minimizar o sofrimento da falta de saúde do povo rondoniense mais desassistido.
PAUTAS
Pode quem quiser discordar do que professa o candidato do PL ao Senado, Bruno Scheid, mas há algo difícil de negar: coerência entre o que fala e o que faz. Renunciou aos recursos do Fundão Eleitoral por considerar que dinheiro público deve priorizar as áreas essenciais, e não financiar campanhas. Assume sem rodeios as pautas de costumes defendidas pela direita e se apresenta como seguidor do bolsonarismo raiz.
PROPOSTAS
Sabe, porém, que a bolha ideológica, por maior que seja, não basta para conquistar uma cadeira no Senado. Por isso, foi estudar propostas capazes de transformar a produção rondoniense, agregando valor aos grãos e atraindo indústrias para gerar emprego e renda. Quem acompanha suas redes sociais encontra ali, de forma concreta, esse discurso.
RAIZ
Não é preciso concordar com suas posições mais extremadas para reconhecer que, entre ele e Fernando Máximo, Bruno Bolsonaro é quem representa de maneira mais autêntica esse espectro político. E não apenas por proclamação própria: recebeu o aval explícito de Jair Bolsonaro, que escalou Michelle para gravar ao seu lado, apresentando-o como alguém da família política e, na prática, como o candidato ungido pelo bolsonarismo.
EXEMPLO
É a primeira disputa eleitoral a um cargo eletivo e tem sido reconhecido como forte candidato do espectro da direita com chances reais de ultrapassar o concorrente ao afunilamento da campanha. Repetindo a mesma saga de Jaime Bagattoli. O exemplo é real.
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Fonte/Créditos: Por Robson Oliveira
