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VÍDEOS - São Paulo - Tribunal do PCC matou casal após tentativa de sequestro de menino

Carolyn Del Carmen, 38, e Hamilton Coelho de Resende, 53, foram mortos após tentativa frustrada de rapto de criança na zona leste de SP

VÍDEOS - São Paulo - Tribunal do PCC matou casal após tentativa de sequestro de menino
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São Paulo
À esquerda mulher negra com tranças finas soltas, à direita homem branco com cabeço curto e camisa pólo verde - Metrópoles
Os dois corpos encontrados três dias após a tentativa de sequestro de um menino de 9 anos, na zona leste de São Paulo, são de Carolyn Del Carmen Cedeno Cedeno, de 38 anos, mãe da criança, e do auxiliar de enfermagem Hamilton Coelho de Resende, 53 (imagem em destaque).

Há indícios, de acordo com a Polícia Civil, de que eles foram mortos por determinação de um “tribunal do crime” depois que o rapto do garoto foi frustrado por moradores, no último dia 16, segundo afirmado em sigilo por uma fonte que acompanha o caso.

A dupla foi agredida após Hamilton ser acusado de tentar levar o menino à força, com a ajuda de Lucas Nunes de Almeida, 31 (assista abaixo). O caso, que inicialmente apareceu como uma tentativa de sequestro em Guaianases, revelou uma trama mais grave, com suspeitas de exploração de crianças, linchamento e ocultação dos corpos.

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A Polícia Civil investiga a tentativa de rapto, as mortes de Carolyn e Hamilton e a participação de Lucas no episódio. Os laudos necroscópicos ainda devem indicar oficialmente a causa das mortes, mas a fonte ouvida pela reportagem afirma que uma das suspeitas é a de que os dois foram assassinados “a pauladas”.

Rapto frustrado

tentativa de sequestro ocorreu na Rua Moreira Neto, em Guaianases. Segundo registros policiais, obtidos pelo Metrópoles, o taxista Robert de Souza Guimarães contou em depoimento que iniciou uma corrida com um passageiro e, depois, buscou outro homem em Ferraz de Vasconcelos, na região metropolitana.

A dupla então seguiu até o endereço onde o menino estava, na zona leste. Um dos homens desceu do táxi, pegou a criança à força, chegou a derrubá-la da bicicleta e tentou colocá-la no carro. O motorista relatou que percebeu que poderia se tratar de um rapto e, por isso, manteve o veículo parado.

Um terceiro homem que estava na rua interveio e impediu que o menino fosse levado. Em seguida, moradores cercaram o carro, quebraram as portas e passaram a agredir os suspeitos.

O caso foi registrado inicialmente como “subtração de incapaz tentada”. No boletim de ocorrência, os autores aparecem como desconhecidos. Depois, a investigação identificou Lucas como um dos envolvidos. Hamilton, que inicialmente constava como desaparecido em outro BO, passou a ser ligado ao episódio.

Mãe de garoto e Hamilton foram mortos

Carolyn, mãe do menino, era venezuelana e tinha oito filhos de pais diferentes, como apurou o Metrópoles. Ela veio ao Brasil acompanhada por cinco deles, todos menores na ocasião, há cerca de oito anos.

Inicialmente, a família se estabeleceu em Roraima e, posteriormente, veio para São Paulo. Na capital paulista, ele morou com os quatro filhos mais novos  em uma ocupação no bairro da República, centro paulistano, na qual Hamilton também circulava. Os dois se conheciam e Hamilton sabia de condutas da estrangeira, nas quais supostamente explorava os próprios filhos, de forma econômica e também sexual.

A filha mais velha de Carolyn, conforme apurado pela reportagem, atualmente está com 18 anos. Ela mora em Goiás, onde se casou e teve um filho.

Agredidos pela população

Hamilton, segundo relatórios da Polícia Civil, tinha forte vínculo com o menino e teria se revoltado depois que Carolyn saiu da ocupação e levou a criança para a zona leste. Para tentar trazer o garoto de volta, ele teria prometido moradia a Lucas, que vivia em situação de rua, em troca de ajuda.

Após a tentativa de rapto ser frustrada, Hamilton e Lucas foram capturados e agredidos por moradores (assista abaixo). Durante as agressões, Hamilton teria acusado Carolyn de envolvimento com exploração sexual de crianças. A partir dessa acusação, a mãe do menino também foi levada pelo grupo.

Segundo a fonte, Carolyn e Hamilton acabaram mortos a pauladas por membros do Primeito Comando ca Capital (PCC), após a realização de um “tribunal do crime”. Os corpos foram encontrados no último dia 19, na Rua Keia Nakamura, ainda na zona leste.

Vídeo levou filha a reconhecer o pai

O desaparecimento de Hamilton foi registrado pela filha dele, identificada como Maria Eduarda Oliveira. Segundo boletim de ocorrência, ela procurou a polícia após receber um vídeo em que duas pessoas apareciam sendo agredidas por homens não identificados.

No registro, os agressores acusavam as vítimas de pedofilia. Maria Eduarda afirmou ter reconhecido um dos agredidos como sendo seu pai, Hamilton, que estava desaparecido desde então.

O registro de desaparecimento foi feito no 24º Distrito Policial (Ponte Rasa) e, depois vinculado ao BO da tentativa de sequestro apurada em Guaianases.

O papel de Lucas

Lucas Nunes de Almeida é apontado como o comparsa de Hamilton na tentativa de levar o menino. Segundo registros policiais, ele foi identificado como investigado no caso e conduzido ao 44º DP (Guaianases), para ser ouvido.

A fonte que acompanha a investigação afirma que Lucas sabia da ação e aceitou ajudar Hamilton em troca de moradia. Depois que os suspeitos foram cercados por moradores, Lucas conseguiu fugir. Ele teria pulado em um córrego e permanecido escondido antes de ser localizado, no dia 19, na região central da capital paulista.

Metrópoles mostrou que, após a prisão, Lucas admitiu envolvimento no caso. Ele afirmou saber que seria procurado. Acrescentou que havia ficado escondido porque a população teria tentado matá-lo.

Crianças sob proteção

A morte de Carolyn deixou os filhos sob acompanhamento de uma rede de proteção. Segundo a fonte ouvida pela reportagem, três das crianças (7, 9 e 11 anos) foram encaminhadas para um abrigo. Uma adolescente, de 14 anos, irmã das crianças, passou a ser acompanhada por uma família tutora.

A mesma fonte afirma que a adolescente relatou em depoimento — durante o qual foi assistido por uma equipe multidisciplinar — episódios graves de vulnerabilidade e violência envolvendo a mãe. O depoimento dela ainda deve ser aprofundado por meio de escuta especializada, com apoio técnico, por se tratar de uma menor de idade.

A tentativa de sequestro do menino acabou culminando na abertura de uma investigação mais ampla. A Polícia Civil agora apura mais detalhes sobre o rapto frustrado, sobre quem matou Carolyn e Hamilton e se havia exploração de crianças no entorno da família de venezuelanos.

Fonte/Créditos: Metópoles/Alfredo Henrique

Créditos (Imagem de capa): Reprodução/Instagram

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