
O líder nacional da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), Marcos Willians Herbas Camacho, o “Marcola”, também foi alvo da Operação Vérnix, que voltou a prender, nesta quinta-feira (21), a advogada e influencer digital Deolane Bezerra. A aliada do presidente Lula (PT) é suspeita de atuar em uma organização criminosa que opera na lavagem de dinheiro da facção, sem relatos de envolvimento do petista.
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) acusa Deolane de atuar em crimes com família do chefão do PCC e operadores financeiros da organização criminosa de Marcola, que está preso desde 1999, condenado a penas que somam mais de 300 anos de prisão por diversos crimes.
Um novo mandado de prisão preventiva foi expedido contra Marcola, que cumpre penas na Penitenciária Federal de Brasília, unidade de segurança máxima do complexo prisional da Papuda, para onde o traficante foi transferido em janeiro de 2023, após passagens por diversos presídios.
Deolane, presa pela polícia civil em setembro de 2024, posa com Lula e Janja (Foto: Ricardo Stuckert)
Não foram expostas quaisquer evidências de ligação do presidente Lula com os crimes atribuídos à aliada Deolane Bezerra, que participou de um ensaio fotográfico com o chefe do governo do Brasil e a primeira-dama Janja, demonstrando intimidade, antes das operações que levaram a influencer à prisão, pela primeira vez, em setembro de 2024.
Marcola e Deolane foram presos entre seis mandados de prisões preventivas e atingidos por bloqueios de valores superiores a R$ 327 milhões, como medidas cautelares demandas pelo MPSP e a Polícia Civil de São Paulo. E as evidências do elo entre Deolane e Marcola foram identificadas em um aparelho celular apreendido na Operação Lado a Lado, com conversas entre a influenciadora e parentes de Marcola.
Os outros alvos da Vérnix que teriam relação com Deolane são:
- Everton de Souza, conhecido como “Player”, apontado como operador financeiro, preso hoje;
- Alejandro Camacho, irmão de Marcola, já preso em penitenciária federal;
- Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha de Marcola, considerada foragida e procurada na Bolívia, com nome incluído na Difusão Vermelha da Interpol;
- Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, sobrinho de Marcola, considerado foragido e procurado em Madri, com nome incluído na Difusão Vermelha da Interpol.
Cerco ao PCC
O objetivo da Operação Vérnix é desarticular o complexo esquema de lavagem de capitais, com ramificações empresariais, patrimoniais e financeiras. Além de interromper o fluxo financeiro ilícito, preservar ativos de possível origem criminosa e atingir a estrutura econômica que sustenta a atuação da facção.
Também houve sequestro de 17 veículos, incluindo modelos de luxo avaliados em mais de R$ 8 milhões, além de 04 imóveis vinculados aos investigados.
“A influenciadora passou a ocupar posição de destaque no caso em razão de movimentações financeiras expressivas, incompatibilidades patrimoniais e indícios de conexão com integrantes do núcleo de comando da organização criminosa. Os levantamentos apontaram a utilização de pessoas jurídicas, recebimentos de origem não esclarecida, circulação de valores milionários e aquisição ou vinculação a bens de alto padrão”, relatou a polícia judiciária paulista.
Outro lado
A advogada e irmã de Deolane, Daniele Bezerra, manifestou-se em defesa da influenciadora acusada de ligação com Marcola e o PCC. Veja:
Hoje, mais uma vez, tentam transformar suposições em verdades e manchetes em condenações. A prisão da Deolane Bezerra, sob alegações de participação em organização criminosa, nasce cercada de ilações, narrativas e perseguições que já se repetem há tempos.
Acusar é fácil. Difícil é provar. No Brasil, infelizmente, muitas vezes primeiro se expõe, se destrói a imagem e se condena perante a opinião pública… para só depois buscar provas que sustentem aquilo que foi dito. E isso é grave.
Não se pode admitir que a Justiça seja usada como espetáculo, nem que pessoas sejam tratadas como culpadas antes do devido processo legal. Prisão não pode ser instrumento de pressão, marketing ou vingança social.
Quem conhece a história, a luta e a trajetória dela sabe que existe uma diferença enorme entre fatos e narrativas criadas para alimentar ataques. Seguiremos confiando na verdade, na Justiça e no direito de defesa, porque perseguição continua sendo perseguição, mesmo quando tentam dar a ela outro nome.
Fonte/Créditos: Diário do Poder/Davi Soares
Créditos (Imagem de capa): (Foto: Reprodução).21/05/2026 11:24 | Atualizado 21/05/2026 11:29
