Quarta-feira, 20 Maio de 2026 - 15:40 | Redação

Porto Velho entrou para 2026 ocupando uma posição desconfortável e simbólica: a de pior capital brasileira para se viver segundo o Índice de Progresso Social (IPS), que avaliou qualidade de vida, acesso a serviços, saneamento, oportunidades e bem-estar social. A capital rondoniense recebeu 58,59 pontos, abaixo da média nacional de 63,40, ficando na última colocação entre todas as capitais e o Distrito Federal.
O dado é duro. E talvez explique por que o prefeito Léo Moraes tenha herdado o maior desafio administrativo entre todas as capitais brasileiras: reconstruir uma cidade que cresceu por décadas sem acompanhar, na mesma velocidade, investimentos em infraestrutura, saneamento e planejamento urbano.
Os números ajudam a dimensionar o tamanho da crise. Apenas 9,89% da população possui acesso ao tratamento de esgoto. Mais da metade dos moradores vive sem água tratada. Porto Velho permanece há dez anos na última posição do ranking de saneamento entre as cem maiores cidades do país.
A deterioração, porém, não nasceu agora. Indicadores urbanos dessa magnitude são resultado acumulado de anos de abandono estrutural, baixa capacidade de investimento e sucessivos passivos administrativos. É justamente nesse cenário que a gestão Léo Moraes tenta construir sua principal narrativa política: transformar a pior capital do Brasil em um canteiro de recuperação urbana.
E o prefeito parece disposto a assumir esse embate de frente.
A atual administração lançou, apenas no primeiro semestre de 2026, uma carteira de quase R$ 200 milhões em obras e licitações. O pacote inclui policlínica, escolas, creches, pavimentação, unidades de saúde, mercado público e a maior aposta da gestão: uma macrodrenagem urbana de R$ 90 milhões voltada ao combate de enchentes e alagamentos.
A estratégia da Prefeitura é clara: transformar planejamento técnico em capital político. Diferentemente de gestões que anunciavam obras de forma genérica, a administração passou a divulgar valores, cronogramas, fontes de recursos e etapas burocráticas de cada projeto.
Mas o desafio de Léo Moraes vai muito além de apresentar projetos. Porto Velho não precisa apenas de anúncios. Precisa de resultado concreto.
A cidade chegou a um ponto em que qualquer erro administrativo custa caro demais. Uma capital com mais de 517 mil habitantes, marcada por drenagem precária, bairros sem saneamento, crescimento desordenado e infraestrutura insuficiente, exige mais do que popularidade ou discurso otimista.
É justamente aí que nasce o tom de desafio que acompanha o atual prefeito: transformar expectativa em entrega. Porque governar a pior capital do Brasil não permite zona de conforto. Obriga velocidade, execução e capacidade de enfrentar problemas históricos que atravessaram diferentes administrações sem solução definitiva.
O IPS revelou a profundidade da crise. Agora, o tempo dirá se Porto Velho começou, de fato, a sair dela.

Comentários: