COLUNA FALANDO SÉRIO

CARO LEITOR, Karl Marx observou que a história se repete, primeiro como farsa, depois como tragédia. Na política, porém, há quem insista em transformar o calendário eleitoral em um interminável espetáculo de reprises. Partidos racham, grupos se engalfinham e velhas raposas, outrora mestres da articulação, reaparecem disfarçadas de renovação, mas carregando os mesmos vícios e ambições de sempre. O problema é que a maquiagem não esconde a desfiguração política: quem já perdeu a credibilidade tenta sobreviver à custa de alianças improváveis, discursos reciclados e conveniências de ocasião. A farsa nasce quando acreditam que o eleitor esqueceu; a tragédia começa quando imaginam que ele é ingênuo. No palco eleitoral, os personagens podem trocar de legenda, discurso e figurino, mas o roteiro continua o mesmo: poder acima de princípios, conveniência acima de coerência e interesses pessoais travestidos de projeto coletivo.
Raposas
Na política, “velhas raposas” são líderes experientes, hábeis e calculistas, que conhecem os atalhos do poder. Mudam de discurso, partido e aliados conforme a conveniência, preservando influência e espaço no jogo eleitoral.
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Métodos
A expressão também retrata políticos que sobrevivem às mudanças de cenário sem abandonar velhos métodos. São mestres em alianças oportunistas, acordos de bastidores e promessas recicladas, sempre atentos a quem pode garantir votos e poder.
Princípios
O problema surge quando a experiência vira vício e a astúcia substitui princípios. A velha raposa pode trocar de pele, legenda ou discurso, mas dificilmente abandona seus interesses. Para o eleitor, a novidade pode ser apenas maquiagem.
Experiência
Vou classificar o senador Confúcio Moura (MDB) como uma velha raposa da política rondoniense, sem tom pejorativo, mas pela experiência: em três décadas de vida pública, jamais perdeu uma eleição nas disputas que enfrentou ao longo dos anos.
Afastou
Confúcio Moura (MDB), ao longo dos anos, cercou-se de bajuladores e afastou articuladores que garantiam sua sobrevivência política. Em colunas anteriores, alertei Confúcio sobre tais bajuladores cheirando a naftalina e as hienas que devoravam os fundos do MDB.
Carta
Como anunciamos na coluna de ontem (30), a carta de desistência do senador Confúcio Moura (MDB) realmente existe. Eu sempre disse que Confúcio não desistiria de ser candidato a reeleição. A minha tese estava correta em parte, ele não desistiu até a convenção.
Reagirem
O artigo “Acordo político não é cheque em branco”, de Edson Silveira, do diretório estadual do PT, cobrando do MDB apoio a Expedito Netto (PT) ao Governo, fez os emedebistas reagirem como quem percebeu que estava sendo encurralado no curral político, feito gado.
Nota
A resposta veio em nota pública do MDB: curta, objetiva e esclarecedora. Em síntese, o partido afirmou que não havia acordo formal para marchar ao lado do PT nas eleições de 2026, desmontando a narrativa de aliança dada como certa até então.
Negociando
O MDB afirmou que não houve reunião deliberativa sobre aliança com o PT, nem proposta na pauta da convenção ou submetida aos convencionais. Traduzindo para o português político: estavam negociando a legenda em silêncio, sem ninguém saber.
Problema I
Em colunas anteriores, escrevi que não via problema algum em Confúcio Moura (MDB) se coligar ao PT e disputar a reeleição ao Senado. Afinal, Rondônia sabe que ele integra a base de Lula (PT-SP) e já declarou que vota no petista abertamente.
Problema II
O problema é que os históricos do MDB perceberam que a legenda definhou ao abrir mão de candidatura majoritária em 2022. Agora tentam juntar os cacos e ressurgir das cinzas com Pedro Abib ao Governo, numa última aposta de sobrevivência.
Problema III
O outro problema do MDB é que Confúcio Moura usou o mandato de senador para afastar aliados com capacidade de articulação e inibir o surgimento de novas lideranças. Ao desistir da reeleição, ajoelha-se diante da própria vaidade para evitar encerrar a carreira com uma derrota nas urnas.
Manter
Caso não seja jogo de cena a desistência de Confúcio Moura (MDB) ao Senado, como escrevi e justifiquei em coluna anterior, cabe ao MDB manter Pedro Abib ao Governo e lançar Paulo Andrade e Amir Lando ao Senado, ambos do MDB, fortalecendo a chapa majoritária do partido.
Nominata I
A pedido dos leitores, segue a nominata do MDB para deputado federal e estadual. A chapa federal, formada por Luciana Bezerra, Vilma Alves, Galdiana Silva, Fabrício Donizete, Ayel Muniz, Caio Machado, Nerival Pedraça, Isac Wayuru e Ronilson Pelegrine, enfrenta dificuldades para atingir a cláusula de desempenho e garantir uma representação competitiva nas urnas.
Nominata II
Nominata do MDB para deputado estadual: Dra. Telma Cruz, Laura Marcela, Luciana Colares, Vanda dos Cachorros, Suellen Ribeiro, Bruna Azevedo, Maria Rita Soares, Lu da Reciclagem, Dra. Aline Leon, Sandro Moret, Fagner Peixoto, Roberval Roberto, jornalista Vanderlei Farofino, Ricardo Schwantes, vereador Rafael Lopes (MDB-Jaru), Cilson Mendes, Francisco Sales, Aldair Sorriso, Prof. Olakson, Robson Rosa, Dr. Rafael Claros, Felipe Oliveira, André Henrique, Mestre Natanael Dragão e Rodrigo da Feira.
Força
A nominata do MDB à Assembleia já sofreu baixa com a renúncia da pré-candidata Dra. Aline Leon e passa a registrar três vagas em aberto. Mesmo com nomes competitivos, como Dr. Rafael Claros e Farofino, a chapa não demonstra força para eleger um deputado estadual.
Ezequiel
Decisão judicial torna o deputado estadual Ezequiel Neiva (PL) inelegível, mas ele e seus advogados contestam. A insistência pode prejudicar a nominata do PL e, mais adiante, custar caro: a legenda corre o risco de perder representação no Congresso Nacional.
Natan
O ex-deputado Natan Donadon (União) foi absolvido em um processo de improbidade, mas outros ainda aguardam julgamento. Com isso, permanece inelegível e pode comprometer o desempenho da nominata federal da União Progressista, formada por União Brasil e PP.
Reagir
Não cabe apenas aos dirigentes do PL ou da União Progressista (UP), mas também aos pré-candidatos a deputado federal reagir contra a presença de nomes que possam comprometer o desempenho eleitoral das nominatas nas urnas e reduzir sua representação política.
Errou
Falando em nominatas, a deputada federal e pré-candidata ao Senado Silvia Cristina (PP) errou a conta na indicação de pré-candidatos a deputado federal pela União Progressista (UP) e terá de cortar um nome da lista apresentada pelo partido.
Regra
Pela regra de gênero, cabe ao PP indicar 30% das vagas da federação União Progressista (UP): dois homens e uma mulher. Porém, a legenda tem Jesualdo Pires, Dr. Maike, Dr. Leandro, Dr. Wenceslau e Valnerea Mota. Agora, resta saber quem Silvia cortará.
Improváveis
Como dissemos no editorial, alianças improváveis fazem parte da política. Há alguns anos, ninguém imaginaria o governador Coronel Marcos Rocha e Expedito Júnior no mesmo partido, muito menos dividindo o mesmo palanque nas eleições.
PSD
O governador Coronel Marcos Rocha, presidente do PSD em Rondônia, publicou vídeo nas redes convidando para a convenção de amanhã da legenda na Vila Privilege a partir as 18h, que homologará Adailton Fúria ao Governo, Everton Leoni a vice e Luis Fernando ao Senado, consolidando a chapa majoritária.
Pergunta
A pergunta é: o governador Coronel Marcos Rocha, presidente do PSD, e o ex-senador Expedito Júnior, secretário-geral da legenda, ocuparão as primeiras fileiras do dispositivo oficial da convenção ao lado de Adailton Fúria? E, mais que isso: Rocha e Expedito erguerão juntos as mãos do candidato governista?
Rejeitado
O governador Coronel Marcos Rocha chega à convenção do PSD rejeitado pelo candidato Adailton Fúria, como Pedro negou Jesus Cristo. Resta saber se Fúria surgirá ao lado de Rocha, aceitará o destino e fará dele seu maior cabo eleitoral.
Promessas
O governador Coronel Marcos Rocha (PSD) chega à convenção do partido sem cumprir promessas feitas a Porto Velho. Não entregou a CEASA, o Centro de Convenções no Parque dos Tanques, a reforma do Aluízio Ferreira, Hospital de Urgência e Emergência e as facções criminosas tomando conta do estado.
Desafio
O pré-candidato ao Governo Adailton Fúria (PSD) domina os algoritmos das redes e tem resposta para tudo, inclusive para a saúde, seu principal desafio. Em seu discurso, destaca a entrega de um hospital municipal moderno em Cacoal.
Eleitoreira
O hospital inaugurado por Fúria ao fim da gestão, porém, ainda não atendeu pacientes e permanece fechado, sob alegação de falta de previsão orçamentária do atual prefeito Tony Pablo (PSD). A obra, assim, vira alvo de críticas como obra eleitoreira.
Explicações
Fúria chega à convenção do PSD, que homologará sua candidatura ao Governo, com o TCE-RO em seu encalço, cobrando explicações sobre um rombo de R$ 800 mil nas contas de sua gestão à frente da Prefeitura de Cacoal.
Paroca
O jovem vereador Zé Paroca (Avante) entra na disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa com o desafio de transformar a força conquistada no mandato municipal em votos em todo o Estado, enfrentando nomes experientes nas urnas.
Sério
Falando sério, assim fechamos a coluna: entre rachas partidários, velhas raposas, nominatas frágeis e alianças improváveis, a política mostra que Marx continua atual. A farsa eleitoral de hoje pode cobrar seu preço nas urnas amanhã, sem perdão.

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