Quarta-feira, 15 Julho de 2026 - 10:16 | Redação

O discurso do pré-candidato chapa branca Adailton Fúria anda em descompasso com as ações concretas do Governo que ele pretende suceder. O decreto 31.797 de 14 de julho publicado na noite desta terça-feira em edição suplementar do Diário Oficial do Estado sepultou definitivamente a construção do Hospital de Urgência e Emergência de Rondônia (Heuro) ao remanejar R$ 231.565.360,00 do Fundo Estadual do Heuro (Fun-Heuro) para outras atividades na Secretaria de Estado da Saúde. A Unidade Administrativa da pasta ganhou um extra de R$ 177.872.000,00 para atividades como pagamento de diárias, passagens aéreas, gratificações, auxílios e gerenciamento da rede do Sistema Único de Saúde (SUS) em todo Estado. O restante dos R$ 231 milhões foi distribuído para o Orçamento de rubricas beneficiando prefeituras, convênios, hospitais particulares e o “incentivo a manutenção das ações das redes de atenção e suas linhas de cuidado”. Na prática, a equipe gerencial da Sesau pode usar o que era destinado ao Heuro para as ações que entenderem ser necessárias para o bom andamento da Saúde pública de Rondônia.

Fúria diz que será melhor, mas seu secretário aprovou o fim do Heuro
Nas grandes reuniões que promove no interior de Rondônia, o pré-candidato governista critica a Saúde e a falta de manutenção das estradas, dizendo que será a mudança que os rondonienses esperam, mas na prática, por trás dos discursos, Fúria apoia as ações do atual Governo. O atual secretário de Estado da Saúde, Edilton Oliveira dos Santos – indicado por Fúria- teve papel preponderante para decretar o fim do Heuro, convencendo que os recursos precisavam ser remanejados para outras unidades orçamentárias, inclusive na Administrativa, onde saem os recursos para diárias, passagens, auxílios e gratificações.
Tribunal de Contas economizou para Heuro

Em 2019, em solenidade no Palácio Rio Madeira, membros do Tribunal de Contas e da Assembleia Legislativa se reuniram para aprovar a criação de um fundo de financiamento do Heuro. Foi uma ação apoiada até por setores do Judiciário para que parte dos recursos economizados pelos repasses do duodécimo constitucional fossem transferidos para esse fundo específico para ajudar o Governo a construir o novo João Paulo II. Na época, o Tribunal de Contas deu o exemplo. O órgão destinou R$ 50 milhões para o Fun-Heuro, fruto da economia da Corte. Veja o que disse o release do TCE: “O repasse ao Tesouro Estadual é fruto de economia feita pela instituição ao longo dos últimos anos, dentro do Plano de Contenção de Gastos, que envolveu um esforço empreendido por todos os membros e servidores do TCE e do Ministério Público de Contas (MPC), com medidas em diversas áreas, incluindo investimento em soluções tecnológicas, teletrabalho, cortes de despesas de custeio, enxugamento da folha de pagamento, entre outros”. O G1 chegou a publicar matéria explicando que o tribunal abriu mão da construção de sua sede.
Rocha desistiu do consórcio Vigor Turé e pensou em comprar antiga Uniron
Com o distrato com o consórcio Vigor Turé, que construiria o Heuro através do sistema Built to Suit (BTS), o Governo Marcos Rocha pensou em uma nova modalidade para garantir o novo hospital de emergência. Chegou –se a anunciar a compra de uma antiga faculdade (Uniron) em Porto Velho aproveitando sua estrutura para adequá-la a unidade hospitalar. Rocha chegou a sancionar a Lei 6.156/2025, autorizando crédito de R$ 67,1 milhões para construção do hospital.
Na época, jornais divulgaram a ação governamental. Nem o sistema BTS e nem a aquisição do prédio a Secretaria de Estado da Saúde teve condições de realizar para garantir o novo Heuro para a população. Restam as promessas do pré-candidato a governador, Adailton Fúria, cujo atual secretário de Saúde é seu indicado, em construir o novo hospital em Rondônia.
Fonte/Créditos: RONDONIAGORA

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