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OPINIÃO - A engenharia dos vices: Marcos Rogério sela aliança, Fúria avança sobre a capital e Hildon corre atrás do interior

Marcos Rogério, Adaílton Fúria e Hildon Chaves montaram chapas com objetivos distintos; mais do que complementar perfis, os vices ajudam a explicar a estratégia de cada pré-candidato para chegar ao Palácio Rio Madeira.

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PORTO VELHO, RO - Há uma tendência curiosa na política brasileira: muita gente olha para os vices como se fossem meros coadjuvantes. Não são. Em eleições majoritárias, especialmente em disputas estaduais, a escolha do vice costuma revelar mais sobre as necessidades do candidato do que seus próprios discursos.

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É por isso que os movimentos feitos por Marcos Rogério (PL), Adaílton Fúria (PSD) e Hildon Chaves (União Brasil) na composição de seus grupos políticos merecem atenção.

Não porque os nomes fossem imprevisíveis. Mas porque eles ajudam a explicar como cada grupo enxerga suas forças e, sobretudo, suas vulnerabilidades.

A política, afinal, é a arte de administrar insuficiências.

Marcos Rogério foi o primeiro a dar uma demonstração clara de força política quando lançou sua pré-candidatura ao Governo de Rondônia. O evento contou com a presença de Flávio Bolsonaro (PL), que escolheu Rondônia para realizar seu primeiro ato de pré-campanha presidencial.
A mensagem era evidente: Marcos Rogério é o candidato do bolsonarismo.

Mas ser identificado com um campo político não resolve todos os desafios de uma eleição estadual.

É aí que entra o Delegado Rodrigo Camargo (PODEMOS).

Ao contrário do que alguns podem imaginar, sua principal contribuição não está em Porto Velho. Camargo possui trajetória política construída no interior e forte identificação com pautas conservadoras. O ativo estratégico que ele agrega à chapa está na ponte política que representa com o prefeito Léo Moraes (PODEMOS).

Não se trata apenas de uma indicação. Trata-se da formalização de uma aliança.

Léo é hoje uma das figuras políticas mais influentes de Rondônia. Sua capacidade de diálogo ultrapassa fronteiras partidárias e ideológicas. Ao trazer Camargo para a chapa, Marcos Rogério não incorpora apenas um deputado estadual. Incorpora uma conexão direta com o grupo político que governa a capital.

Ao mesmo tempo, Camargo ajuda a reforçar uma pauta que deve atravessar toda a campanha: segurança pública.
Num estado que assiste ao crescimento da influência das facções criminosas, dificilmente haverá debate eleitoral relevante que não passe por esse tema.

Adaílton Fúria parte de uma lógica diferente.

Sua candidatura nasce da condição de principal representante do grupo político que hoje ocupa o Palácio Rio Madeira.
Reeleito prefeito de Cacoal com uma votação superior a 80%, Fúria construiu uma trajetória de forte presença no interior do estado, especialmente nas regiões produtivas, onde seu nome alcançou elevado grau de conhecimento popular.

Além disso, terá uma vantagem que nenhum estrategista eleitoral costuma desprezar: a possibilidade de disputar a eleição tendo a máquina governamental ao seu lado. Em campanhas estaduais, estrutura, capilaridade e capacidade de mobilização política costumam fazer diferença.
É justamente por isso que a escolha de Everton Leoni chama atenção.

Se Fúria já é um nome amplamente conhecido em boa parte do interior, Everton chega para cumprir outra função dentro da equação eleitoral.
Jornalista e apresentador de televisão, figura querida e respeitada em Porto Velho, ele agrega visibilidade e identificação junto ao eleitorado da capital, maior colégio eleitoral de Rondônia.

Mais do que uma escolha partidária, trata-se de uma composição geográfica e eleitoral.
Fúria amplia sua presença onde já é forte. Everton ajuda a abrir portas onde o ex-prefeito de Cacoal ainda precisa crescer.
Já Hildon Chaves enfrenta um desafio completamente diferente.

Talvez seja o candidato com currículo administrativo mais robusto da disputa. Ex-promotor de Justiça, empresário e prefeito da capital por dois mandatos, encerrou sua passagem pela Prefeitura de Porto Velho com índices de aprovação que poucos gestores conseguem alcançar.
Sua imagem pública foi construída em torno da ideia de firmeza, gestão e autoridade.

Frases como "Eu conheço um bandido em dois minutos de conversa" ajudaram a consolidar essa percepção junto ao eleitorado.
Mas toda liderança política carrega seus fantasmas.

No caso de Hildon, o principal deles sempre foi o mesmo: a narrativa de que sua força estaria concentrada na capital.
Foi justamente para enfrentar essa leitura que Cirone Deiró (União Brasil) surgiu ao seu lado desde o primeiro dia da pré-campanha.
Não como um complemento eventual, mas como parte estruturante do projeto.

Cirone é um político experiente, respeitado no interior e com ampla capacidade de articulação regional. Sua presença na chapa busca responder diretamente à velha provocação repetida nos bastidores da política rondoniense: "Depois de Candeias ninguém conhece o Hildon".
As recentes agendas da dupla pelo interior deixam claro que essa continuará sendo uma das prioridades estratégicas da campanha.
O mais interessante é observar que os três vices cumprem funções completamente diferentes.

Rodrigo Camargo representa uma aliança política.
Everton Leoni representa uma ponte com a capital.
Cirone Deiró representa um equilíbrio regional.
Nenhum deles foi escolhido por acaso.

Porque campanhas não são montadas apenas para potencializar qualidades. São montadas para reduzir fragilidades.
E talvez seja exatamente por isso que a definição dos vices tenha sido o movimento mais revelador da pré-campanha até aqui.

Os discursos podem mudar.

Os slogans podem mudar.

As pesquisas certamente mudarão.

Mas as escolhas feitas para compor uma chapa costumam revelar aquilo que os candidatos realmente acreditam sobre a eleição que têm pela frente.

E, olhando para as três principais chapas de Rondônia, fica cada vez mais evidente que a disputa de 2026 já começou muito antes do primeiro voto ser depositado na urna. As informações são do site Rondônia Dinâmica.

Texto originalmente publicado em https://www.rondoniadinamica.com/noticias/2026/06/a-engenharia-dos-vices-marcos-rogerio-sela-alianca-furia-avanca-sobre-a-capital-e-hildon-corre-atras-do-interior,247715.shtml

Fonte/Créditos: Por Redação | Rondônia Dinâmica Publicada em 24/06/2026 às 11h26

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