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Terça-feira, 27 de Outubro 2026
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Meio Ambiente

Notícias - Respostas locais reduzirão riscos diante da emergência climática

Soluções baseadas na natureza, inteligência de dados e cooperação ajudam a proteger populações e a fortalecer territórios vulneráveis

Notícias - Respostas locais reduzirão riscos diante da emergência climática
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“É um desafio que exige medidas de adaptação desde já”, afirma André Ferretti, gerente de Economia da Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário. “O clima já mudou e seguirá mudando, e cada região precisa ser preparada para essa nova realidade”, ressalta.

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É nesse contexto que o movimento Viva Água reúne empresas, governos, organizações civis, universidades e comunidades locais para recuperar e conservar ecossistemas, reorganizar o uso dos territórios e apoiar negócios de impacto positivo, sempre a partir de soluções baseadas na natureza.

Depois de experiências na bacia do rio Miringuava (Paraná) e na Baía de Guanabara (Rio de Janeiro), a iniciativa ruma para o Sistema Cantareira (São Paulo) e às bacias dos rios Joanes e Jacuípe (Bahia). Com a expansão, serão alcançadas cerca de 15 milhões de pessoas.

Trecho do Rio Jacuípe em Feira de Santana (BA). Foto: Prefeitura de Feira de Santana/Divulgação

Na prática, o projeto restaura matas ciliares, conserva nascentes, promove o manejo sustentável do solo, incentiva uma agricultura de baixo impacto e estimula negócios que dependem de rios limpos e áreas naturais conservadas, como o turismo de natureza e a pesca artesanal.

“Nosso foco são as soluções baseadas na natureza, sobre como a natureza e os serviços ecossistêmicos podem ajudar a endereçar os principais desafios da sociedade”, reforça Ferretti.

Além dessas ações diretas em campo, a plataforma Natureza On foi desenvolvida pelo MapBiomas em parceria com a Fundação Grupo Boticário – com infraestrutura do Google Cloud – para apontar a vulnerabilidade de regiões nacionais a enchentes, deslizamentos e secas.

A ferramenta também sugere soluções para cada área, como plantar árvores e criar parques lineares, renaturalizar rios e sistemas de drenagem. Isso tudo amplia as áreas verdes e a qualidade de vida, ao mesmo tempo em que ajuda a conter enchentes, ondas de calor e perdas econômicas.

“Isso é fundamental para transformar a agenda climática em políticas públicas e investimentos concretos, por meio da cooperação entre diferentes setores, ampliando o financiamento e direcionando a governança”, detalhou Ferretti.

A seca avança pelo semiárido baiano. Foto: Diego Baravelli / Creative Commons

Mas os impactos da crise climática não se limitam à degradação ambiental ou à perda de infraestrutura, já interferem também na vida de milhões de pessoas que precisam deixar suas casas por causa de enchentes, secas prolongadas ou calor extremo. 

No plano internacional, a Agência das Nações Unidas para as Migrações (OIM) tem chamado atenção para esse efeito muitas vezes desprezado: o aumento dos deslocamentos humanos provocados pela crise climática – seja dentro ou entre países.

A estratégia global da entidade prevê investimentos para reduzir riscos de desastres e fortalecer estratégias de adaptação local, reconhecendo o papel das mudanças no uso do solo – como pelo agronegócio e urbanização –, da degradação de ecossistemas e do reforço de eventos extremos na mobilidade das pessoas.

Nessa agenda, soluções baseadas na natureza ajudam a restaurar manguezais que protegem comunidades costeiras, recuperar a vegetação em encostas sujeitas a deslizamentos, recompor matas ciliares em áreas afeitas a enchentes e garantir água em regiões alvo de secas prolongada – protegendo pessoas e ecossistemas.

Isso é promovido pela aproximação da OIM com o Boticário em debates como o da reconstrução do Rio Grande do Sul após as enchentes do ano passado, numa combinação entre restauração de rios, encostas e áreas verdes e proteção de moradores que perderam casas, renda e referências.

A aposta maior é a de que cada obra de recuperação também reduza a chance de novos desastres e de deslocamentos forçados, em vez de repetir os padrões que já se mostraram vulneráveis diante da crise climática, onde comumente as pessoas retornam aos locais afetados ou a situações de risco.

 
  • Aldem Bourscheit

    Jornalista cobrindo há mais de duas décadas temas como Conservação da Natureza, Crimes contra a Vida Selvagem, Ciência, Agron... →

Fonte/Créditos: Aldem Bourscheit

Créditos (Imagem de capa): Araucárias em meio à neblina, no estado do Paraná. Foto: Vitya Maly/Goodfon/Creative Commons

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