Projeto apoia mães e crianças atípicas tratadas à base de cannabis
Iniciativa leva atendimento médico gratuito e suporte permanente a famílias neuroatípicas em Fernando de Noronha, reduzindo crises e sobrecarga materna.
Por Matheus Crobelatti* - Agência Brasil - 20
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A vida de famílias em Fernando de Noronha tem passado por uma transformação significativa graças ao Projeto Noronha, uma iniciativa que oferece tratamento à base de canabidiol (CBD) para crianças neurodivergentes e suas mães. Em um arquipélago onde o acesso a serviços de saúde complexos exige viagens de mais de 500 quilômetros até o continente, o projeto estabeleceu uma rede de suporte integrada, mudando o cenário de isolamento e sobrecarga que atingia mães como a professora Rayane Dixie dos Santos.
Superação e alívio para mães atípicas
Rayane, mãe solo de um filho com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e TDAH, sofria com as crises de agitação do filho e o adoecimento próprio. Com o uso do canabidiol, iniciado em março, a família encontrou estabilidade. O impacto positivo também é relatado por Rebeca Allen, presidente da associação local de mães, que via no tratamento uma forma de retomar sua saúde mental após episódios de depressão e ansiedade.
A iniciativa vai além da entrega do medicamento: “Quando a criança está em crise, ela tem a mãe. Quando a mãe está em crise, ela não tem ninguém”, pontua Ladislau Porto, um dos idealizadores, destacando o foco do programa no atendimento integral também às mulheres.
Impacto clínico e acessibilidade
Realizado por meio de parcerias entre a Abecmed, a Associação de Mães Atípicas de Fernando de Noronha (AMA-FN) e a Administração Distrital, o projeto já realizou 126 consultas e distribuiu 221 óleos de cannabis. Segundo o neurologista Eduardo de Sá Faveret, o CBD atua diretamente na regulação do sistema endocanabinoide, reduzindo a hipersensibilidade sensorial típica do TEA.
Diferente de terapias medicamentosas tradicionais que podem causar sedação, o canabidiol permite que a criança permaneça ativa para terapias multidisciplinares. “A criança precisa estar acordada para ter proveito da terapia ocupacional, fono e psicólogo”, explica o psiquiatra Wilson Lessa Junior, ressaltando a superioridade do tratamento para o desenvolvimento dos pacientes.
Construindo uma rede permanente
O Projeto Noronha diferencia-se de mutirões convencionais por seu caráter continuado. Com a construção de uma sede própria em terreno cedido pela administração local, a iniciativa visa consolidar o suporte médico e psicológico de forma perene. Os dados coletados pelos pesquisadores envolvidos servirão ainda como base para estudos de impacto social e econômico do tratamento, visando expandir o acesso a essa alternativa terapêutica como uma política pública de saúde robusta e humanizada.
Fonte/Créditos: Por Matheus Crobelatti* - Agência Brasil - 20
Créditos (Imagem de capa): © CBD-Infos-com/ Pixabay

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