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Terça-feira, 27 de Outubro 2026
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Meio Ambiente

Notícias - Bancada ruralista insistirá em colocar o Marco Temporal na Constituição

Com o STF analisando a lei do marco temporal, a Frente Parlamentar da Agropecuária intensifica a pressão para avançar a PEC 48 no Congresso

Notícias - Bancada ruralista insistirá em colocar o Marco Temporal na Constituição
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Indigenas acompanham, do lado de fora do STF, o início do julgamento sobre o Marco Temporal. Foto: Victor Piemonte/STF
Enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) retoma o julgamento da Lei 14.701/2023, que reintroduziu o Marco Temporal das demarcações de terras indígenas após a Justiça considerá-lo inconstitucional, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) voltou a pressionar o Congresso pelo avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 48/23. Em nota oficial divulgada na última segunda-feira (15), a bancada ruralista reafirma que seguirá atuando para constitucionalizar a tese, mesmo diante da análise em curso no Judiciário.

No comunicado, a FPA afirma acompanhar o voto do ministro Gilmar Mendes, relator das ações que questionam a lei do marco temporal, e destaca pontos que, segundo a bancada, trariam “maior transparência” e “segurança jurídica” aos processos de demarcação. Entre eles estão a previsão de perícias técnicas, a ampliação da participação de entes interessados e regras para a permanência de ocupantes considerados de “boa-fé” em áreas em disputa.

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Ao mesmo tempo, a nota expressa insatisfação com a possibilidade de o STF afastar definitivamente o marco temporal do ordenamento jurídico. Para os ruralistas, a ausência do critério que limita o direito territorial indígena às áreas ocupadas em 5 de outubro de 1988 manteria um cenário de insegurança jurídica e conflitos fundiários, especialmente em regiões de expansão do agronegócio.

A PEC 48/23, aprovada pelo Senado em votação acelerada, busca justamente inscrever o Marco Temporal na Constituição, numa tentativa de blindar a tese contra decisões do STF. A estratégia aprofunda a tensão institucional entre os Poderes e reacende o debate sobre os limites do Legislativo frente a direitos considerados originários pela Constituição de 1988.

Para organizações indígenas e socioambientais, a ofensiva da bancada ruralista representa um retrocesso histórico. Elas argumentam que o marco temporal desconsidera expulsões forçadas, violências e remoções ocorridas antes da Constituição, além de fragilizar a proteção dos territórios e ampliar o risco de conflitos no campo.

  • Karina Pinheiro

    Jornalista formada pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), possui interesse na área científica e ambiental, com experiência na área há mais de 2 anos.

Fonte/Créditos: Karina Pinheiro

Créditos (Imagem de capa): Foto: Victor Piemonte/STF

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