Ao investigar suspeitas de tráfico de influência e corrupção envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, a Polícia Federal encontrou diálogos apontando o filho de Lula (PT) como destinatário de pagamentos e benefícios bancados por um empresário que buscava contratos na Dataprev e mantinha negócios milionários no Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), chefiado pelo ministro Wellington Dias (PT), que recebeu a lobista Roberta Luchsinger por 17 vezes fora da agenda.
As informações se originam da quebra de sigilo de Roberta Luchsinger. Ela teria sido contratada pelo empresário Cléber Ribas de Oliveira, do setor de tecnologia, para intermediar interesses junto a órgãos públicos. Nas conversas, Roberta pede recursos a Cléber e menciona que parte serviria para cobrir “despesas de Lulinha”.
A PF relata que Lulinha participou diretamente da intermediação dos negócios de Cléber, esteve em reuniões com agentes públicos em defesa dos interesses do empresário e solicitou a emissão de notas fiscais para o recebimento de valores. Em relatório, citado em reportagem de Aguirre Talento e Gustavo Côrtes, do Estadão, a corporação afirma que ele aparece associado a reuniões empresariais, é citado como beneficiário de pagamentos e, em ao menos uma ocasião, intervém na emissão de nota fiscal destinada a Cléber.
Esses elementos, segundo a PF, indicam participação efetiva e justificam o aprofundamento das apurações.A PF abriu inquérito específico sobre a intermediação junto à Dataprev. Há ainda investigações sobre a atuação de Roberta e Lulinha no Ministério da Saúde e em outras áreas do governo.
Os indícios relacionados à Dataprev são considerados mais robustos, pois resultaram em contratos concretos com o governo federal e estaduais, além de pagamentos milionários à lobista. Cléber Ribas pagou ao menos R$2,5 milhões a Roberta entre março de 2024 e dezembro de 2025. Em troca, ela agendou reuniões na Dataprev e com outros agentes públicos. Em junho de 2023, Roberta enviou a Cléber uma lista de ações em andamento, citando Geap, portos e aeroportos, Correios, Dataprev e MDS, e mencionando envolvimento do “palácio”.
A empresa de Roberta, 3Structure, fechou contratos de R$14,4 milhões e R$19,2 milhões com o MDS em dezembro de 2023 e abril de 2024. Nas mensagens, a lobista cobra pagamentos de notas fiscais citando Lulinha. Em setembro de 2023, ela escreveu: “E me avisa lá tb do pagamento do Fábio q ele me perguntou pq ele vai viajar”. Em outra ocasião, pediu aviso sobre pagamento porque “ele perguntou aqui” — a PF considera mais provável que “ele” se refira a Lulinha.
Em mensagem divulgada antes, o próprio Lulinha pediu a Roberta: “Emite a NF pro Cleber”. Em agosto de 2025, Roberta questionou Cléber sobre pagamento de alguém chamado Freitas, dizendo que os valores serviriam para comprar passagens aéreas para Lulinha: “Tem que pagar essa bosta dessas passagens pro Fabio, aí vai pagar com o dinheiro do Freitas”.
A PF interpreta que Lulinha usava a empresa da lobista para custear despesas. Diálogos mostram ainda que ele reconheceu que Roberta “cuidava” de suas finanças. Em maio de 2024, ao discutir uma viagem à África com familiares, Lulinha perguntou: “A gente tem grana pra bancar essas coisas? Vc q cuida das minhas finanças”. Em janeiro de 2024, sobre uma viagem a Genebra estimada em valor elevado, ele disse não ter “dim dim nem origem” para o gasto e que qualquer problema não teria explicação.
A PF identificou que Roberta recebeu ao menos R$4 milhões de empresários com interesses no governo. As conversas foram transcritas em relatórios para abertura de inquérito contra Lulinha, Roberta e outros investigados. As defesas ainda não se manifestaram.
Fonte/Créditos: Diário do Poder
Créditos (Imagem de capa): Foto: assessoria.
