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Entretenimento - O fenômeno geológico visível no Quênia que está criando um novo oceano na África e separando o continente

Rachaduras no solo revelam um processo lento, mas real, que pode transformar o mapa do planeta no futuro

Entretenimento - O fenômeno geológico visível no Quênia que está criando um novo oceano na África e separando o continente
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O fenômeno geológico visível no Quênia que está criando um novo oceano na África e separando o continente
Falhas no leste africano revelam um continente em lenta transformação

Uma enorme fissura aberta no solo do Quênia virou símbolo de um processo capaz de redesenhar o mapa da África. Sob a região oriental do continente, placas tectônicas estão se afastando lentamente e afinando a crosta, criando as condições para que, em um futuro distante, um novo oceano possa surgir onde hoje existem vales, vulcões, lagos e cidades.

O que realmente está acontecendo sob o leste da África?

O processo ocorre no Sistema de Rift da África Oriental, uma extensa faixa de falhas geológicas que atravessa aproximadamente 3 mil quilômetros, desde a região de Afar, no nordeste africano, até Moçambique. Dentro dessa zona, a crosta continental sofre tensão, alonga-se e se quebra em diferentes pontos.

 

Qual fenômeno geológico está separando o continente africano?

O fenômeno geológico é um rifte continental, processo no qual a crosta é esticada até se tornar mais fina, fraturada e rebaixada. No leste da África, esse movimento está separando progressivamente a Placa Somali da Placa Núbia, que forma a maior parte do restante do continente africano.

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O afastamento não corta a África como uma rachadura única e contínua. Ele ocorre por uma rede complexa de falhas, bacias e zonas vulcânicas. Em determinadas regiões, o magma sobe pelo espaço criado pelo estiramento, esfria e forma novas rochas, antecipando um processo semelhante ao que acontece nas dorsais localizadas no fundo dos oceanos.

 
  • Placa Somali deslocando-se em relação à Placa Núbia
  • Crosta continental ficando gradualmente mais fina
  • Falhas provocando rebaixamento de blocos do terreno
  • Magma preenchendo algumas fraturas abertas em profundidade

Para apresentar o funcionamento do sistema de forma didática, o canal Earth Science Classroom, que conta com mais de 55,5 mil inscritos no YouTube, explica a geografia do Rift da África Oriental, as placas envolvidas e as direções em que cada bloco da crosta se movimenta. O material relaciona deformação continental, falhas e formação de vales, alinhado ao tema tratado acima:

 

A enorme rachadura vista no Quênia já é o começo do novo oceano?

A fissura que ganhou repercussão internacional apareceu em 2018, perto da estrada entre Nairobi e Narok, no sudoeste do Quênia. Em alguns trechos, a abertura alcançou vários metros de largura e profundidade, atravessando terrenos agrícolas e afetando construções. As imagens fizeram parecer que a África havia começado a se partir repentinamente.

 

Geólogos explicaram, porém, que chuvas intensas removeram sedimentos e cinzas vulcânicas que cobriam uma fratura existente no terreno. Portanto, aquela abertura não representava sozinha a divisão instantânea do continente. Ela estava dentro de uma região tectonicamente ativa, mas sua exposição rápida também envolveu erosão, infiltração de água e colapso de materiais superficiais.

 

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Como esse fenômeno geológico poderia criar um novo oceano?

O futuro oceano dependeria da continuidade do afastamento entre as placas durante milhões de anos. À medida que a crosta se estica, ela fica mais fina e pode afundar. Se a ruptura continental se completar e a região ficar conectada ao Mar Vermelho, ao Golfo de Áden ou ao Oceano Índico, a água poderá avançar sobre as áreas rebaixadas.

 
Etapa O que acontece na crosta Resultado na paisagem
Estiramento inicial As placas começam a se afastar lentamente Surgem falhas, escarpas e pequenos tremores
Afinamento continental A crosta perde espessura e resistência Vales tectônicos ficam mais profundos
Atividade magmática Magma sobe por fraturas abertas Vulcões e novas rochas aparecem
Ruptura completa A crosta continental se separa Forma-se uma estreita bacia oceânica
Expansão oceânica Nova crosta oceânica surge entre os blocos O mar se alarga e separa duas massas terrestres

Sociedade Geológica de Londres explica o Rift da África Oriental como uma fronteira divergente em desenvolvimento. Caso o processo continue, a região poderá repetir em escala continental o que já separou a Península Arábica da África e abriu o Mar Vermelho.

Quais países poderiam ser afetados pela divisão da África?

O Rift da África Oriental atravessa ou influencia áreas da Etiópia, Djibuti, Eritreia, Quênia, Uganda, Ruanda, Burundi, Tanzânia, Malawi e Moçambique. A configuração final não pode ser desenhada com precisão, porque existem vários braços de rifte, microplacas e velocidades diferentes de deslocamento.

 

Em um cenário de ruptura completa, parte da África Oriental poderia se separar do restante do continente e formar uma grande massa terrestre delimitada por um novo mar. O Quênia teria áreas transformadas em margens continentais, mas isso ocorreria em um futuro tão distante que montanhas, rios, vulcões e litorais também passariam por profundas mudanças.

 
  • Etiópia e Djibuti próximas à junção de três riftes
  • Quênia atravessado pelo ramo oriental do sistema
  • Tanzânia situada sobre áreas de falhas e vulcanismo
  • Moçambique próximo ao extremo sul da estrutura tectônica
O afastamento das placas afina a crosta e aprofunda os vales tectônicos
O afastamento das placas afina a crosta e aprofunda os vales tectônicos

Esse fenômeno geológico representa um perigo imediato?

A formação de um oceano não representa uma ameaça imediata para as populações atuais. As estimativas são medidas em milhões de anos, e não em meses ou séculos. A África não será dividida repentinamente por uma única rachadura, como algumas imagens e publicações nas redes sociais fazem parecer.

Os riscos reais estão nos efeitos locais já associados à atividade tectônica, como terremotos, vulcanismo, deslizamentos e abertura de fissuras em terrenos vulneráveis. O mais impressionante não é imaginar o continente se rompendo amanhã, mas perceber que o planeta está construindo uma paisagem futura diante dos nossos olhos. As falhas do Quênia são páginas visíveis de uma história geológica que poderá terminar com dois blocos de terra separados por um oceano inteiramente novo.

Fonte/Créditos: Redação O Antagonista

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