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ENCONTRO DE LÍDERES -Terras raras, tarifas, agro e IA: entenda o que Trump e Xi negociam e os impactos para o Brasil

Líderes das duas maiores economias do mundo se reúnem nesta quinta-feira (24), em Washington; comércio, minerais críticos, tecnologia e compras agrícolas estão entre os principais temas

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Terras raras, tarifas, agro e IA: entenda o que Trump e Xi negociam e os impactos para o Brasil

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, se reúnem nesta quinta-feira (24), na Casa Branca, em Washington, para discutir os próximos passos da relação entre as duas maiores economias do mundo.

A pauta inclui tarifas, terras raras, compras de produtos agrícolas, inteligência artificial, chips, aviação e investimentos, além de questões geopolíticas como Taiwan e Irã.

Qualquer mudança na relação entre Washington e Pequim pode reverberar no comércio global, afetando preços, cadeias de produção e empresas de diferentes países.

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Os dois países chegam ao encontro depois de concordarem em estender até 10 de janeiro de 2027 a trégua comercial que venceria em novembro. A pausa dá mais tempo para que Washington e Pequim tentem avançar em acordos sobre pontos que continuam em aberto.

Para o Brasil, dois setores concentram parte importante dos possíveis efeitos: o agronegócio, principalmente a soja, e a mineração, diante da busca internacional por fornecedores de terras raras fora da China.

Tarifas: uma trégua para ganhar tempo

A guerra comercial entre Estados Unidos e China levou as tarifas dos dois lados para a casa dos três dígitos, antes das reduções negociadas posteriormente.

Um dos pontos em negociação é a retirada mútua de tarifas sobre cerca de US$ 30 bilhões em produtos considerados não sensíveis.

A medida faz parte das tentativas de Washington e Pequim de reduzir algumas das barreiras comerciais sem encerrar a disputa mais ampla entre os dois países.

A negociação também envolve questões como taxas cobradas de navios chineses em portos americanos e outras barreiras que afetam o transporte de mercadorias.

Para outros países, inclusive o Brasil, mudanças nas rotas de comércio entre as duas maiores economias podem alterar a concorrência por mercados e fornecedores. Isso é especialmente relevante para produtos agrícolas e minerais.

Terras raras: o trunfo da China

As terras raras são um grupo de minerais usados em produtos como motores elétricos, eletrônicos, equipamentos de defesa, turbinas e componentes de alta tecnologia.

A China domina boa parte dessa cadeia e tem usado controles de exportação como instrumento de pressão nas negociações com os Estados Unidos. O país responde por cerca de 70% da mineração mundial de terras raras, 85% do refino e 90% da produção de ligas e ímãs.

O problema para os americanos não está apenas em encontrar minério. A concentração chinesa também ocorre nas etapas de processamento e fabricação de produtos derivados, o que torna mais difícil substituir rapidamente os fornecedores.

Por isso, Washington busca garantir um fluxo mais previsível de minerais críticos enquanto tenta desenvolver alternativas à cadeia chinesa.

É nesse ponto que o Brasil entra na equação.

O país possui grandes recursos de terras raras, mas ainda tem uma participação pequena na produção e, principalmente, no processamento desses minerais. A tentativa de Estados Unidos e outros países de diversificar fornecedores pode aumentar o interesse por projetos brasileiros e abrir espaço para investimentos no setor.

O professor de Relações Internacionais da ESPM Roberto Uebel afirma que o Brasil vem buscando justamente diversificar suas parcerias nessa área, incluindo União Europeia, Austrália e Canadá.

“O Brasil tem buscado ao longo do ano diversificar parcerias no setor de terras raras, sobretudo com a União Europeia, Austrália e Canadá, justamente para diminuir a dependência e o risco dela com os EUA e a China.”

Assim, qualquer mudança na relação entre Washington e Pequim pode influenciar não apenas o comércio de terras raras, mas também a disputa internacional por novos fornecedores.

Agro: a soja está no centro da disputa

A agricultura é outro ponto em que a negociação interessa diretamente ao Brasil.

A China é o maior comprador mundial de soja e compra grandes volumes tanto dos Estados Unidos quanto do Brasil. Durante a guerra comercial, tarifas chinesas reduziram a competitividade da soja americana e favoreceram os embarques brasileiros.

Agora, Pequim voltou a ampliar as compras dos Estados Unidos.

Como parte dos acordos anteriores, a China se comprometeu a comprar 25 milhões de toneladas de soja americana por ano até 2028. Além disso, assumiu o compromisso de comprar pelo menos US$ 17 bilhões por ano em outros produtos agrícolas dos Estados Unidos em 2026, 2027 e 2028.

As compras de soja americana já começaram a aumentar. Até 10 de setembro, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) havia confirmado a venda de quase 10 milhões de toneladas da safra atual para a China.

O movimento não significa que a China deixará de comprar soja brasileira. O mercado chinês é grande o suficiente para absorver volumes dos dois países, e fatores como preço, frete, disponibilidade e período de colheita influenciam a escolha do fornecedor.

Mas uma presença maior da soja americana aumenta a concorrência pelo mercado chinês e pode influenciar a formação dos preços internacionais, inclusive das cotações negociadas em Chicago.

Para o produtor brasileiro, portanto, uma eventual ampliação dos compromissos entre Washington e Pequim pode mudar as condições de disputa por um dos principais mercados do agronegócio nacional.

IA e chips: a disputa pela tecnologia

A tecnologia também está no centro da relação econômica entre os dois países.

Os Estados Unidos tentam limitar o acesso chinês a chips avançados e a tecnologias consideradas estratégicas para o desenvolvimento de inteligência artificial. Pequim, por sua vez, busca reduzir essas restrições e ampliar sua capacidade de desenvolver tecnologia própria.

Uma das propostas em discussão é a criação de um canal direto entre os dois países para comunicação sobre incidentes graves envolvendo inteligência artificial. A medida teria como objetivo evitar que problemas relacionados ao uso da tecnologia provoquem uma escalada entre Washington e Pequim.

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Fonte/Créditos: Por G1 Publicada em 24/09/2026 às 10h04

Comentários

Autor da postagem
Elinaldo Bispo • 24/09/2026 12:05
Qualquer mudança na relação entre Washington e Pequim pode reverberar no comércio global, afetando preços, cadeias de produção e empresas de diferentes países.
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