Aguarde, carregando...

Quarta-feira, 28 de Outubro 2026
MENU
Meio Ambiente

Análises - Assédio institucional e a ética no serviço ambiental

Órgãos ambientais fortes dependem de equipes valorizadas, protegidas contra interferências indevidas e amparadas por normas claras de governança

Análises - Assédio institucional e a ética no serviço ambiental
A-
A+
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.
GOOGLE Não perca nossas próximas notícias

Adicione nosso site às suas fontes preferidas para acompanhar nossas notícias. 📰

O debate público tem avançado na compreensão do assédio moral individual nas relações de trabalho. No entanto, ainda se fala pouco sobre uma forma mais sofisticada e igualmente danosa de violência organizacional, o assédio institucional. Trata-se de um conjunto de práticas, diretrizes e discursos que, partindo da própria estrutura de poder, buscam constranger, deslegitimar ou silenciar servidores no exercício técnico de suas atribuições.

No campo da gestão ambiental, esse fenômeno ganha contornos especialmente preocupantes. A atuação dos servidores ambientais é, por natureza, técnica, baseada em critérios legais, científicos e no princípio da precaução. Quando essa atuação passa a ser pressionada por interesses políticos, econômicos ou corporativos, instala-se um ambiente de conflito entre a obrigação funcional e a tentativa de captura da decisão pública.

Publicidade

Leia Também:

O assédio institucional não se manifesta, necessariamente, por gritos ou ofensas diretas. Ele aparece na retirada de competências, no esvaziamento de setores técnicos, na desqualificação reiterada de pareceres, na abertura de processos administrativos infundados ou na pressão para flexibilizar exigências legais. É um processo silencioso que corrói a autonomia técnica e produz medo, adoecimento e paralisia.

As consequências ultrapassam o plano individual. Quando um servidor é constrangido a agir contra a lei ou a ciência, o que está em risco não é apenas sua saúde mental ou sua carreira, mas a própria função pública do Estado. No caso da área ambiental, isso se traduz em licenciamentos frágeis, fiscalização comprometida e aumento da vulnerabilidade dos ecossistemas e das populações.

É preciso lembrar que o servidor público não é agente de governo, mas de Estado. Sua lealdade institucional é com a legalidade, com o interesse público e com os princípios constitucionais da administração pública: legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.

A ética funcional não é uma opção ideológica, é um dever

Garantir condições para uma atuação técnica isenta não é um privilégio corporativo, mas um requisito para políticas públicas eficazes. Órgãos ambientais fortes dependem de equipes valorizadas, protegidas contra interferências indevidas e amparadas por normas claras de governança. Transparência nos processos, colegialidade nas decisões e respeito aos pareceres técnicos são mecanismos essenciais para reduzir espaços de assédio institucional.

Também é papel da sociedade compreender que a proteção ambiental não se faz apenas por meio de leis, mas por meio das pessoas que as aplicam. Quando servidores são desautorizados ou transformados em obstáculos a serem removidos, abre-se caminho para a captura do interesse público por interesses privados.

Defender a atuação ética e isenta dos servidores ambientais é, portanto, defender a própria democracia administrativa. Em tempos de intensificação das crises climática e ecológica, enfraquecer quem tem a responsabilidade legal de proteger o patrimônio ambiental coletivo é um retrocesso que a sociedade não pode se permitir.

As opiniões e informações publicadas nas seções de colunas e análises são de responsabilidade de seus autores e não necessariamente representam a opinião do site ((o))eco. Buscamos nestes espaços garantir um debate diverso e frutífero sobre conservação ambiental.

  • Rogerio Chimanski da Fontoura

    Engenheiro agrônomo, mestre em zootecnia com enfase nas pastagens nativas do Pampa. Presidente da Associação dos Servidores da SEMA-RS e coordenador do Movimento Salve o Pampa. →

Fonte/Créditos: Rogerio Chimanski da Fontoura · 6 de março de 2026

Créditos (Imagem de capa): Foto: Felipe Werneck/Ibama

Não possui uma conta?

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!
WhatsApp Correio da Mata
Fale conosco!
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR