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Saúde - Perda de microbiota muda células que protegem o intestino. Entenda

Pesquisa da Unicamp indica que perda de bactérias muda função celular e pode afetar a proteção da parede intestinal

Saúde -  Perda de microbiota muda células que protegem o intestino. Entenda
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A microbiota intestinal, formada por trilhões de microrganismos, tem um papel central no funcionamento do organismo. Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) mostrou que a redução dessas bactérias pode alterar o comportamento de células responsáveis por proteger o intestino.

O trabalho foi publicado na revista Gut Microbes em novembro de 2025 e investigou como a ausência ou diminuição da microbiota interfere no epitélio intestinal, camada que reveste o intestino grosso e atua como uma barreira contra agentes externos.

Os resultados indicam que, quando há perda da microbiota, algumas células passam a assumir funções diferentes das que exerciam normalmente. Em vez de apenas produzir muco, elas também começam a absorver nutrientes, algo mais comum em outras partes do sistema digestivo.

Mudança no papel das células

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Os pesquisadores identificaram uma população de células que, até então, era considerada exclusivamente responsável pela produção de muco, substância essencial para proteger a parede intestinal. No entanto, o estudo mostrou que elas também podem atuar na absorção de nutrientes.

Essa mudança está ligada à presença de compostos produzidos pelas bactérias intestinais, como o butirato, gerado a partir da fermentação de fibras. Quanto maior a produção desse composto, menor a quantidade dessas células com função dupla.

Quando a microbiota é reduzida, seja pelo uso de antibióticos ou pelo envelhecimento, ocorre o efeito contrário. O número dessas células aumenta, sugerindo uma tentativa do organismo de se adaptar à nova condição.

"Quando a microbiota é reduzida, o intestino grosso passa a expressar características ligadas à absorção de nutrientes, algo que normalmente não é sua principal função", explica Vinícius Dias Nirello, primeiro autor do estudo, em comunicado.

Possíveis impactos para a saúde

Os experimentos foram realizados com camundongos e também incluíram análises de tecidos humanos. Os pesquisadores observaram que essa população de células é mais frequente em indivíduos mais velhos, o que pode indicar uma relação com o envelhecimento.

Para o professor Marco Vinolo, do Instituto de Biologia da Unicamp, a expansão dessas células pode ser uma resposta do organismo para reforçar a barreira intestinal em situações de desequilíbrio. "Essa adaptação pode ajudar a proteger o intestino quando há perda de bactérias importantes", afirma.

Os cientistas destacam que os achados ajudam a entender melhor como a microbiota influencia o funcionamento do intestino e podem contribuir para pesquisas sobre doenças inflamatórias intestinais.

Além disso, o estudo revela que o intestino tem uma capacidade de adaptação maior do que se imaginava, ajustando suas funções de acordo com os sinais enviados pelos microrganismos que vivem ali.

 

Fonte/Créditos: Metrópoles

Créditos (Imagem de capa): Getty Images

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