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Quinta-feira, 29 de Outubro 2026
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Editorial

Queda nos casos de dengue não significa que Porto Velho esteja fora de risco

Confira o editorial

Queda nos casos de dengue não significa que Porto Velho esteja fora de risco
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A redução dos casos de dengue em Porto Velho é um dado relevante para a avaliação das políticas de saúde pública, mas não deve ser interpretada como sinal de que o problema esteja resolvido. Os números mostram uma mudança expressiva no cenário epidemiológico, enquanto os indicadores de infestação apontam que a prevenção continua necessária.

O município registrou 584 casos da doença em 2024, 212 em 2025 e 57 até 19 de outubro de 2026. A sequência indica queda nos registros, embora a comparação exija cautela, pois o número deste ano ainda é parcial. Não seria correto projetar o resultado final sem considerar os meses restantes e as possíveis mudanças nas condições de transmissão.

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Outro dado merece atenção. O segundo Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti, realizado entre maio e junho, classificou Porto Velho como área de médio risco de infestação. Isso demonstra que a redução das notificações não dispensa o acompanhamento dos focos do mosquito. Casos registrados e presença do vetor são indicadores distintos, que precisam ser analisados em conjunto.

O comportamento de outras arboviroses reforça a necessidade de vigilância. A chikungunya passou de 20 casos em 2024 para 61 em 2025 e registrou 27 até 19 de outubro deste ano. Já a zika, que contabilizou 16 casos em 2024 e cinco em 2025, não teve ocorrências notificadas em 2026 até a data de atualização. Esses números exigem acompanhamento contínuo, sem conclusões precipitadas sobre a evolução futura.

Cabe à administração municipal manter equipes de campo, monitorar as áreas de maior risco e orientar a população. O levantamento de infestação deve servir para direcionar recursos e inspeções conforme as necessidades identificadas. A transparência na divulgação dos dados também é indispensável para que os moradores compreendam o cenário e acompanhem os resultados das medidas adotadas.

A responsabilidade, contudo, não se limita ao poder público. A eliminação de recipientes com água parada depende também de cuidados frequentes em residências e terrenos. Essa participação não substitui os serviços de vigilância, saneamento e fiscalização, mas complementa as ações de controle.

O desafio de Porto Velho é transformar a queda dos registros em uma tendência duradoura. Para isso, são necessários monitoramento regular, prevenção permanente e avaliação dos resultados. A melhora dos números merece registro, mas o êxito da política de saúde deve ser medido pela capacidade de evitar novos casos, e não apenas pela redução observada até agora.

Diário da Amazônia

Fonte/Créditos: Diário da Amazônia

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