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Notícias - Sensor nacional mira “ar invisível” da Amazônia e reforça monitoramento em terras indígenas

Tecnologia de baixo custo quer ampliar dados sobre poluição do ar em territórios indígenas, onde queimadas já comprometem saúde e expectativa de vida

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Sensor nacional mira “ar invisível” da Amazônia e reforça monitoramento em terras indígenas

Tecnologia de baixo custo quer ampliar dados sobre poluição do ar em territórios indígenas, onde queimadas já comprometem saúde e expectativa de vida

Karina Pinheiro · 
6 de abril de 2026

Brasília (DF) – Em meio às discussões do Acampamento Terra Livre 2026, que ocorre esta semana em Brasília, o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) leva à tenda da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira um protótipo que tenta enfrentar um problema pouco visível fora da região: o ar poluído da Amazônia. Desenvolvido em parceria com a Universidade Federal do Pará, o sensor integra a futura rede de monitoramento RedeAr, ainda em fase de estruturação.

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A proposta é ampliar a medição da qualidade do ar em territórios indígenas, hoje praticamente fora dos mapas oficiais. O diagnóstico que sustenta a iniciativa contraria um senso comum persistente. “Existe a ideia de que se respira ar puro na Amazônia, mas isso não se confirma em períodos de seca e queimadas”, afirma o pesquisador Filipe Viegas Arruda, do IPAM, responsável pelo desenvolvimento do equipamento.

 

Dados recentes do instituto mostram que, em 2024, episódios de seca extrema levaram a 138 dias de ar classificado como nocivo à saúde em estados da Amazônia Legal. Diferentemente de centros urbanos como São Paulo, onde a poluição é majoritariamente associada a veículos, na região amazônica ela tem origem sobretudo na queima de florestas e na limpeza de pastagens.

O novo sensor foi desenhado para operar em condições adversas. De fabricação nacional e com custo reduzido, mede a cada dois minutos variáveis como concentração de poluentes, umidade e temperatura. Um dos focos é o material particulado fino (PM2.5), capaz de penetrar no sistema respiratório e associado a doenças cardiovasculares e pulmonares.

Além da robustez física, com proteção contra insetos e umidade, o equipamento tenta contornar uma limitação estrutural: a escassez de infraestrutura em áreas remotas. A estratégia é aproveitar a expansão de conectividade promovida pelo programa Conexão Povos da Floresta para viabilizar o envio de dados.

Hoje, o Brasil conta com cerca de 570 estações de monitoramento da qualidade do ar. A maior parte está concentrada no Sudeste, enquanto apenas 12 funcionam em territórios indígenas. A lacuna ajuda a explicar por que os impactos da poluição na Amazônia permanecem subdimensionados.

A RedeAr pretende ir além da coleta ambiental. A ideia é cruzar as medições com registros de atendimento por doenças respiratórias da Secretaria Especial de Saúde Indígena e com iniciativas de telemedicina, como o programa Conexão Povos da Floresta. O objetivo é estabelecer vínculos mais claros entre exposição à poluição e efeitos diretos na saúde das populações indígenas.

Durante o ATL, um sensor da rede PurpleAir será utilizado para demonstrar o monitoramento em tempo real, incluindo dados atmosféricos e imagens de satélite.

 
  • Karina Pinheiro

    Jornalista formada pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), possui interesse na área científica e ambiental, com experiência na área há mais de 2 anos. 

Fonte/Créditos: Karina Pinheiro ·  6 de abril de 2026

Créditos (Imagem de capa): Foto: Alberto César Araújo/Amazônia Real

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