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O que mudou na longevidade do brasileiro? Hoje a prioridade para embarque nas aeronaves das companhias brasileiras não é mais 60 anos, mas 80. Os octogenários estão em primeiro lugar. O Brasil ainda é um país em desenvolvimento e às vezes, parece que se encaixa bem melhor no status de subdesenvolvido, mas não se compara ao país que ficou para trás.
Chegar aos 70 ou 80 anos era quase uma questão de sorte, uma verdadeira roleta russa. Hoje, homens e mulheres octogenários, se gozarem de boa saúde, sem carimbo de doenças degenerativas, ainda trabalham, estudam, ajudam na criação de netos, viajam e se relacionam bem com pessoas mais jovens e seus pares da faixa etária.
Ninguém é tolo para acreditar que a vida sorri diariamente para a maioria dos idosos. Há os desvalidos, os abandonados pela família e os explorados pela parentela próxima, além é claro dos doentes. Mas de modo geral temos visto uma geração de homens e mulheres que tem assumido a dianteira de continuar a ser feliz, ou correr atrás do tempo, na tentativa de recuperar um pouco do que se perdeu.
Gente que batalha
O Brasil tem, segundo o IBGE, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas mais de 32 milhões de idosos (pessoas com mais de 60 anos). Este número revela que os idosos somam 16,65% da população brasileira. A fatia de Rondônia é de 211 mil idosos, sendo que deste total 52 mil estão na capital. Imagina que em todos os casos são números consideráveis.
Conversamos com alguns representantes da melhor idade. Osmar Silva é um jornalista da velha guarda está na imprensa desde os 17 anos. Hoje com mais de 80 precisa se reinventar a cada dia para continuar a produzir, se adequando as novas tecnologias. Lida com a vida como se tivesse 60 ou menos. Trabalha duro para completar a renda familiar, já que cuida de outros mais idosos do que ele. De vez em quando se junta aos amigos antigos para um aperitivo e longas conversas. A receita de Osmar é estar sempre de bem com a vida.
Segundo ele, aceitar e amar a velhice também ajuda bastante e buscar uma convivência de paz consigo mesmo, com a família e com as pessoas ao redor também é essencial. “Trabalho cantando e ouvindo música boa.”
Encontrei Denize Barreto e Luiz Augusto em um evento social. Ambos têm 61 anos e como ponto comum conversaram sobre o tempo de vida que deixa marcas, às vezes uma ou outra mais profunda.
Para Denize, a idade tem lhe proporcionado fortalecimento para a vida, além de trazer a sensação de paz, como nunca se sentiu antes. Algo muito mais especial do que quando se é jovem. “Na juventude temos o vigor físico que nos impulsiona, ideias e vontade de fazer acontecer, mas com a chegada da maturidade e do envelhecimento tudo vai se ajeitando e ficando mais fácil. Tenho aprendido que a vida é uma oportunidade para você tentar se fazer feliz, porque de verdade, ninguém consegue fazer o outro feliz e talvez nem consiga fazer a si mesmo feliz, se não se priorizar e isso só dá para compreender depois de um certo tempo.”
Para Luiz Augusto, a urgência com que se vive na fase da vida jovem ofusca um pouco a beleza da vida. “Nós queremos tudo, queremos intensamente. A maturidade nos permite que adiemos as urgências ou até mesmo fiquemos sem elas. Agora, as urgências são pessoais, para assegurar o bem-estar, como saúde, cuidados pessoais. Enquanto antes estávamos mais focados nos outros.”
Lucenilde Simões é mãe e avó. Há poucos dias para completar 63 anos, ela diz que aposentou do serviço público e não da vida. Voltou para o mercado de trabalho, desta vez na área de vendas. “Optei pelo consórcio, porque além de ser uma boa oportunidade é um negócio no qual acredito e nos dias de hoje precisamos sim fazer um investimento e o consórcio tem retorno garantido”, destaca.
“O envelhecimento é inevitável, mas podemos fazer a nossa parte para retardar as suas marcas e assegurar um período maior de saúde”. Para isso os cuidados pessoais são essenciais, como manter a pele bem cuidada, a saúde em dia e cuidados com o corpo e a mente, são os segredos de Lucenilde, que agora também participa de corridas de rua.
Chegar a melhor idade é um privilégio, salienta Nazaré Silva de 77 anos. Segundo ela é triste que muitos jovens estão perdendo a vida precocemente, em especial em acidentes e que chegar a categoria dos idosos é algo muito especial. “A data deve ser comemorada, celebrada por quem se cuidou para chegar até aqui. Eu mesma vivo hoje a melhor fase da minha vida”.
Nazaré também optou por retornar ao mercado de trabalho. Atua com vendas de produtos naturais visando proporcionar bem-estar aos que já estão na faixa dos idosos e prevenção aos mais jovens.
O Dia Nacional e Internacional do Idoso tem o seu valor, mas cada um vai descobrindo a forma própria para vencer os obstáculos da vida, que não são poucos. Talvez um pouco mais de política nacional contribua para que 16% da população brasileira possa chegar ao fim da vida com dignidade, inclusive com aposentadorias que possam suprir as necessidades pertinentes à terceira idade.
Desfrutar da melhor idade é um privilégio de uma boa parte da população nos dias atuais. Há cem anos, a idade média do brasileiro era de trinta e cinco anos e hoje, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a idade média está em torno de 76,6 anos para as mulheres e 73,3 para os homens. Mesmo considerando que em 1920 o Brasil era um país jovem, era comum que homens e mulheres morressem cedo demais. O que mudou na nossa longevidade?
Para a médica Gerusa Mendonça, especializada em atendimento geriátrico, o avanço na saúde, as melhorias socioeconômicas (tais como saneamento básico, melhoria das condições de trabalho e maior acesso à informação) têm proporcionado ao idoso viver um pouco mais. Ela destaca que o próprio IBGE, tem estimado que a expectativa de vida do brasileiro vem crescendo nas últimas décadas mais rápido do que em países como a Itália, Inglaterra e o Japão, por exemplo. “Hoje é mais comum encontrarmos idosos com 90, 100 anos de idade.”
Ao contrário do que era nos anos 60 e 70, hoje os idosos estão mais ativos e presentes na comunidade. Não são mais aqueles que ficavam em casa recolhidos, salienta a médica. Segundo ela, é comum encontrarmos idosos que aos 70 anos ainda insistem em trabalhar, alguns até na função de arrimos de família. Outros viajam, vão à academia. E há ainda um grupo que está buscando uma formação acadêmica.
“São idosos independentes e que preservam sua autonomia, não quer dizer que estejam livres de doenças crônicas, como hipertensão arterial, diabetes, osteoporose, dores crônicas, cânceres, e tantas outras enfermidades. Muitas vezes são alvos destas doenças porque vem de uma geração que quando jovem, não teve a cultura de autocuidado da saúde, da mente e do corpo. O foco era trabalhar e trabalhar. E com a idade chegando, as doenças vão surgindo”.
A preservação da autonomia e da independência têm sido o grande foco da medicina geriátrica. As pessoas têm procurado mais cedo o acompanhamento dos profissionais especializados e assim, têm um ganho maior na qualidade de vida. “A Geriatria avalia o idoso como um todo, analisa as medicações, propõe mudanças e adequações na rotina de vida e isso tudo gera qualidade de vida”.
Para a médica Gerusa Mendonça, ser idoso não é opção, é inevitável. Todavia, ser idoso com qualidade de vida e saúde é uma escolha pessoal e diária de cada um. Ela destaca que mesmo que doenças crônicas já estejam presentes, ainda é possível ter uma vida longa, desde que haja um controle. “E isso também é uma escolha”, conclui.

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Fonte/Créditos: Fonte: Alice Thomaz Publicado em 01/10/2026 às 11:01 Atualizado em 01/10/2026 às 11:03

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