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Terça-feira, 27 de Outubro 2026
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Meio Ambiente

Notícias - PF investiga disseminação do circovírus em aves ameaçadas na Caatinga baiana

Governo afirma que age para reduzir ao máximo os impactos nas ararinhas-azuis e sobre outros emplumados brasileiros

Notícias - PF investiga disseminação do circovírus em aves ameaçadas na Caatinga baiana
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A ação faz parte de uma investigação sobre como o circovírus se dissemina na região entre aves como a ararinha-azul (Cyanopsitta spixii), criticamente ameaçada de extinção e que estava em reintrodução na Caatinga baiana.

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Conforme a Polícia Federal, a apuração investiga indícios de que empresas e pessoas físicas ligadas ao programa de conservação da ave em Curaçá poderiam ter descumpridos protocolos sanitários obrigatórios, permitindo a chegada e a propagação do vírus, o que poderia comprometer a sobrevivência daquela e de outras espécies. 

Também teria havido, por parte dos investigados, “resistência às medidas emergenciais determinadas pelo ICMBio, como isolamento sanitário, testagem seriada e recolhimento de aves de vida livre”, destacou a PF.

Os mesmos poderão responder por crimes como de disseminação de uma doença capaz de causar danos à fauna, morte de animais silvestres e obstrução de fiscalização ambiental. 

“A responsabilização pela contaminação precisa ser dada”, ressaltou Cláudia Sacramento, coordenadora da Coordenação de Emergências Climáticas e Epizootias do ICMBio.

A ararinha-azul é uma das aves mais raras e emblemáticas do Brasil. Foto: Miguel Monteiro

Celulares e computadores

O Criadouro Ararinha-azul – onde as aves são recebidas, reproduzidas e mantidas até sua soltura na natureza – informou em nota na tarde de hoje que celulares e computadores de funcionários foram confiscados e que as 103 aves lá permanecem, “aos cuidados dos colaboradores e sob a tutela do Estado”.

A instituição acrescentou que “a investigação já era esperada, pois foi o próprio criadouro quem comunicou a detecção do vírus a todos os órgãos ambientais, em maio de 2025”. Comentou, ainda, que as investigações demonstrarão sua conduta regular e lícita em todos os aspectos.

“Confiamos no completo esclarecimento dos fatos e, posteriormente, a idoneidade da empresa será reconhecida pela Justiça. Esperamos que, após as investigações, o projeto de criação, manejo e preservação da espécie no Brasil, de tamanha relevância para o meio ambiente, possa continuar”.

O criadouro destacou, ainda, que todas as ararinhas que vivem no local estão recebendo os cuidados apropriados, com bom estado clínico geral. “Também é importante assinalar que as ararinhas, como os demais Psitacídeos Tropicais, são especialmente resistentes ao circovírus”, disse.

Testagem e prevenção

De acordo com nota do ICMBio, como o circovírus ameaça não só as ararinhas, mas outras araras, papagaios e periquitos, o foco dos órgãos ambientais é conter sua disseminação para evitar um possível desastre maior para a fauna da região.

Segundo o instituto, o material coletado das aves é enviado a laboratórios de referência, como os do Ministério da Agricultura e da USP, e além do PCR convencional, os testes são repetidos para reduzir as chances de erros e são feitos exames mais sensíveis, como de sequenciamento genético.

Conforme a autarquia, interpretar os resultados não seria simples, pois um animal pode ter o vírus “escondido” no organismo, sem sintomas, ou liberar o vírus de forma intermitente. Por isso, nem um resultado positivo condena automaticamente a ararinha, nem um exame negativo garante que ela esteja saudável. 

O órgão afirma, ainda, que segue buscando as melhores parcerias científicas e técnicas para enfrentar a emergência sanitária e reduzir ao máximo os impactos sobre a espécie símbolo da conservação na caatinga e sobre outras aves brasileiras.

  • Aldem Bourscheit

    Jornalista cobrindo há mais de duas décadas temas como Conservação da Natureza, Crimes contra a Vida Selvagem, Ciência, Agron... →

Fonte/Créditos: Aldem Bourscheit

Créditos (Imagem de capa): A ararinha-azul é uma das aves mais raras e emblemáticas do Brasil. Foto: Miguel Monteiro

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