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Moçambique - Aeroporto milionário lembra dinheiro do BNDES desperdiçado

Banco público pagou obras polêmicas da Odebrecht no exterior

Moçambique - Aeroporto milionário lembra dinheiro do BNDES desperdiçado
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A sinalização reacende tensões antigas, especialmente em torno de obras financiadas durante os anos de domínio da Odebrecht sobre os contratos externos do banco, entre elas a construção do Aeroporto Internacional de Nacala, considerada um dos casos mais simbólicos do modelo de “exportação de serviços” adotado nos governos petistas.

Inaugurado em 2014, o Aeroporto Internacional de Nacala custou centenas de milhões de dólares em contratos viabilizados por financiamentos do BNDES à Odebrecht, aproximadamente US$125 milhões (R$404 milhões).

 

O projeto, executado em um dos países de maior risco de crédito da África, tornou-se alvo de questionamentos por problemas estruturais, subutilização e denúncias de superfaturamento.

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O terminal, projetado para movimentar centenas de milhares de passageiros por ano, chegou a operar praticamente vazio em diversos períodos, cenário que levantou dúvidas sobre a viabilidade econômica da obra e sobre o rigor da análise feita pelo banco estatal brasileiro para liberar os recursos. 

À época, críticos apontaram que o empreendimento beneficiou sobretudo a empreiteira brasileira, e não a população local nem o contribuinte brasileiro, que assumia o risco financeiro das operações.

 

O caso Nacala tornou-se um símbolo de como o modelo de financiamento externo via BNDES poderia beneficiar grandes grupos empresariais, concentrar contratos e driblar mecanismos tradicionais de controle sobre operações internacionais.

Durante a visita a Maputo, em novembro de 2025, Lula defendeu que o BNDES retome o financiamento de obras africanas, afirmando que países do continente têm “lacunas imensas de infraestrutura” e que o Brasil possui empresas “dinâmicas e capazes de atuar nesses projetos”.

A fala ocorre justamente quando o país ainda discute o passado de contratos externos fechados durante os governos do PT, muitos deles executados sem concorrência internacional efetiva, concentrados majoritariamente na Odebrecht e envoltos em episódios de sigilo contratual e denúncias de superfaturamento.

 

Esse mecanismo, chamado de “exportação de serviços”, funcionava de modo que obras no exterior fossem financiadas com recursos públicos brasileiros sem passar por autorização do Senado, exigida quando o Brasil concede empréstimos diretos a outros países.

Como o dinheiro era repassado à empreiteira dentro do Brasil, e não ao governo estrangeiro, o financiamento não era classificado como empréstimo externo, apesar de ter o mesmo efeito econômico e político.

Foi essa lógica que permitiu a execução do aeroporto de Nacala e de diversas outras obras criticadas como financeiramente arriscadas, politicamente orientadas e, em alguns casos, posteriormente investigadas por corrupção.

 

Para setores da oposição, a fala de Lula em Moçambique reforça a percepção de que o governo pretende reabrir um sistema que, no passado, gerou prejuízos, inadimplência e concentração de contratos em grupos empresariais próximos ao poder político.

As críticas se concentram em três pontos principais:

  • Risco para contribuinte: obras em países de alta instabilidade, pagas com garantias frágeis, podem resultar em calotes ou renegociações.
  • Falta de transparência: contratos externos historicamente envolveram cláusulas de sigilo, pouca concorrência e baixa supervisão.
  • Repetição de um modelo desgastado: o modelo favoreceu empresas envolvidas em escândalos de corrupção e deixou passivos para o Brasil.

Parlamentares da oposição argumentam que a prioridade do governo deveria estar nas carências internas do país (rodovias sucateadas, portos congestionados, ferrovias inacabadas) antes de financiar aeroportos em países estrangeiros.

A retomada do financiamento de projetos como o aeroporto de Nacala seria um retorno direto a práticas que marcaram profundamente os governos petistas, combinando interesses empresariais, diplomacia econômica e políticas externas de alinhamento, muitas vezes sem avaliação rigorosa de custo-benefício para o Brasil.

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Fonte/Créditos: Pedro Taquari/Diário do Poder

Créditos (Imagem de capa): (Foto: Reprodução).

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