Desmate na amazônia em maio fica perto de mínima histórica
Cerrado continua registrando números maiores de derrubada mensal do que os da floresta tropical. Na quinta (11), Lula mencionou dados de desmate e disse que EUA mentem ao usar ambiente como argumento para novo tarifaço

BOGOTÁ, COLÔMBIA (FOLHAPRESS) - A amazônia teve um mês de maio com níveis de desmatamento próximos à mínima histórica, de acordo com o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Enquanto isso, o cerrado permanece com números de supressão vegetal maiores do que os vistos no bioma amazônico.
Os dados do Inpe apontam para 370 km² de floresta amazônica derrubada em maio. A mínima histórica para esse mês 363 km², registrada em 2017. Os registros do Deter atual para a amazônia têm início em 2015/2016 -a história desse monitoramento começa de fato em 2004, mas com sensores com menor capacidade de detecção de derrubada de mata.
Enquanto isso, o cerrado teve registro de alertas de desmatamento de 776 km². O bioma, importante para a segurança hídrica no país, tem cerca de metade do tamanho da amazônia e vem apresentando números de supressão vegetal maiores que os dela.
Apesar disso, o número registrado no cerrado representa uma queda de cerca de 12% em relação a maio do ano passado -e, curiosamente, também não está distante da mínima histórica para o mês, de cerca de 701 km², em 2020. Para o cerrado, os registros do Deter começam em 2017/2018.
Vale ressaltar que os dados em questão são provenientes do Deter, sistema do Inpe que visa detecção em tempo real de desmatamento para auxilia a ações de combate à derrubada ilegal de floresta. Esses dados, portanto, não servem para dar uma medida exata de área desmatada, mas podem ser usados para apontar tendências na supressão vegetal.
Por sinal, a tendência dos meses anteriores tem sido de valores de desmatamento consideravelmente mais baixos do que os vistos em anos recentes, especialmente durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), no qual a destruição da floresta voltou a atingir números altíssimos. O ex-presidente, agora preso, tinha forte discurso anti-fiscalização e anti-ambiental.
O presidente Lula (PT), na quinta-feira (11), inclusive mencionou, na sede da OTCA (Organização do Tratado de Cooperação Amazônica) em Brasília, os dados recentes de redução do desmatamento e afirmou que os Estados Unidos mentem ao usar o meio ambiente como argumento para justificar um novo tarifaço.
Lula disse que é necessário mandar essas informações para o "cidadão do comércio dos Estados Unidos que coloca a questão do desmatamento como justificativa", referindo-se a Jamieson Greer, representante de comércio americano.
Usando como base os números do Deter, Lula apontou que uma redução de 37,5% nos alertas de desmatamento na amazônia de agosto de 2025 a maio deste ano, em comparação ao mesmo período anterior.
"[Os números] põem por terra, definitivamente, a acusação injusta, improcedente, dos Estados Unidos, que incluiu o desmatamento na amazônia para justificar medidas para imposição de tarifas", disse o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco.
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Fonte/Créditos: 12/06/2026 10:00 ‧ há 1 hora por Folhapress Brasil
Créditos (Imagem de capa): © Reuters

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