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Brasil - Vaza Toga: equipe de Moraes se irrita com Interpol e EUA em caso Allan dos Santos

Mensagens trocadas por assessores de Moraes mostram descontentamento do gabinete do ministro com a postura da Interpol e do governo dos EUA

Brasil - Vaza Toga: equipe de Moraes se irrita com Interpol e EUA em caso Allan dos Santos
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Mensagens trocadas por assessores de Alexandre de Moraes, que deram origem ao escândalo que O Antagonista apelidou de Vaza Toga, mostram o descontentamento do gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal com a postura da Interpol e do governo dos Estados Unidos no caso do blogueiro Allan dos Santos (foto). 

Leia também: Vaza Toga: até reforma na casa de Moraes passou pelo TSE

 
 

A conversa entre os juízes Airton Vieira, braço direito de Moraes no STF, e Marco Antônio Vargas, do gabinete da presidência do Tribunal Superior Eleitoral, ocorreu em novembro de 2022.

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Vídeo de protesto

Allan do Santos virou tema de discussão no grupo de WhatsApp depois de aparecer em vídeo durante protesto em frente ao hotel onde Moraes e outros ministros do STF estavam hospedados em Nova York.

Na ocasião, os ministros estiveram nos EUA para participar do Lide Brazil Conference. Também participaram do evento Dias Toffoli, Luís Roberto Barroso, Gilmar Mendes e o então ministro do STF Ricardo Lewandowski. 

Em 14 de novembro de 2022, o juiz Marco Antônio Vargas enviou no grupo em que estava Airton Vieira mensagens de Moraes.

Leia também: A operação-abafa da Vaza Toga e os ataques de Moraes e Gilmar à imprensa

“Peça para o Airton falar com a PF sobre o alerta vermelho”, diz o texto da mensagem.

Alerta vermelho

Airton Vieira manda então um áudio explicando se a Interpol já havia incluído o nome de Allan dos Santos no alerta vermelho:

“A questão do alerta vermelho é uma longa história, mas em resumo é o seguinte: o pedido do alerta vermelho já foi feito há mais de ano, só que ele está em Lyon, que é a sede da Interpol. E o pessoal de lá até agora não atendeu, simplesmente se recusou a pôr e de nada adiantaram os pedidos reiterados feitos pela Interpol aqui do Brasil.”

O juiz Airton Vieira também afirmou no áudio que, até novembro de 2022, os EUA nem “sequer responderam oficialmente” o pedido de extradição.

“O escritório central da Interpol, em Lyon, não coloca o nome dele no alerta vermelho, os EUA não respondem ao pedido de extradição, que já foi feito, com base até na prisão preventiva dele decretada, e a situação é essa.”

Irritação

Os dois juízes ainda trocaram mensagens depois do áudio e demonstraram irritação com a postura da Interpol e do governo dos EUA.

Airton Vieira afirmou que o “pessoal da Interpol” acreditava que, com a troca de governo e posse de Lula, a situação poderia mudar. 

“Nem vou responder ao Ministro pq ele deve saber bem essa história”, disse Marco Antônio Vargas.

“Sim, conhece essa história em detalhes. Não se conforma, com toda a razão. Mas nada podemos fazer quanto a essa questão da Interpol, assim como com a questão da extradição. Tudo o que podíamos fazer foi feito, seguimos todo o trâmite. Mas a Interpol em Lyon engavetou o pedido de alerta vermelho e os EUA não resolvem a questão da extradição. Difícil.”

Moraes manda prender Allan dos Santos

Na última quarta-feira, 14 de agosto, Moraes determinou a prisão de Allan dos Santos por supostamente intimidar policiais federais que atuam em inquéritos que tramitam no STF como ‘forma de causar embaraço às apurações’.

A decisão de Moraes está no âmbito da Operação Disque 100 da PF, que investiga uma ‘estrutura de obstrução de investigação de organizações criminosas mediante divulgação de dados protegidos e corrupção de crianças e adolescentes’. 

Allan dos Santos mora fora do Brasil e por isso a nova ordem de prisão não foi cumprida.

O blogueiro é investigado nos inquéritos das milícias digitais e das fake news. Ele é considerado foragido da Justiça brasileira.

Assine Crusoé e leia mais: Investigador, acusador, juiz

 

 

Fonte/Créditos: Redação O Antagonista

Créditos (Imagem de capa): Reprodução

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