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Domingo, 13 de Setembro 2026
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Economia

Análise - Galípolo puxa a orelha de Lula

Não é nada diferente do que fazia o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central na época de Roberto Campos Neto, e isso é um ótimo sinal

Análise - Galípolo puxa a orelha de Lula
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Foto: Jose Cruz/Agência Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central alertou para “a necessidade de políticas fiscal e monetária harmoniosas” em ata publicada na terça-feira, 25. É a mesma mensagem passada pelas atas do Copom nos últimos dois anos, quando o BC era presidido por Roberto Campos Neto.

Desta vez, contudo, o alerta sobre o “esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública” vem de um comitê comandado por Gabriel Galípolo (foto), indicado por Lula em clima de contraponto a Campos Neto.

 
 

A repetição da mensagem foi bem recebida pelos agentes do mercado, assim como a indicação de que os juros devem continuar subindo, ainda que em menor intensidade, a se confirmar o cenário inflacionário.

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O Ibovespa subiu e a cotação do dólar caiu. Isso porque (a ainda parcial) autonomia do BC vai passando, pelo menos até agora, por mais uma prova  e porque o perdulário governo Lula merece mesmo ter a orelha puxada.

Autonomia em teste

Campos Neto foi o primeiro presidente do BC a permanecer no cargo após a mudança de presidente da República, graças à autonomia política da instituição, que entrou em vigor em 2021. Desde que a lei começou a valer o presidente da República não pode trocar de presidente do BC, a não ser em casos muito específicos. Por isso, Lula só pôde praguejar durante dois anos.

Ainda falta aprovar a autonomia financeira e administrativa, o que levou Campos Neto a reclamar, ao longo de sua gestão, de “asfixia financeira e administrativa” do governo Lula. Mas o fato é que, ao contrário do que se temia, as primeiras decisões do Copom sob o comando de Galípolo mantiveram a rigidez com que o BC perseguia a meta de inflação, de 3%, na época de seu antecessor.

Indicado por Jair Bolsonaro, Campos Neto cometeu o erro de ir votar, em 2022, com uma camisa amarela, que demonstrava seu apoio ao ex-presidente, e pagou por isso nos dois anos seguintes, com a desconfiança alimentada por Lula e seus aliados.

“Cavalo de pau”

Apesar de Galípolo circular com desenvoltura pelo mundo político, o Copom comandado por ele  e composto por maioria de diretores indicados por Lula  não deu margem, em suas duas primeiras reuniões, a dúvidas sobre sua independência do governo Lula até agora, pois a taxa básica de juros segue subindo, contra o discurso do petista.

Por enquanto, os governistas parecem resignados com as decisões do BC. Até porque a inflação prejudica a imagem de Lula, e, como o governo não pretende fazer as reformas que poderiam aplacá-la, pelo menos os lulistas torcem para que o BC consiga segurar a alta dos preços.

Lula disse que não espera um “cavalo de pau” de Galípolo, e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, se limita agora a reverberar o chefe. É preciso observar, contudo, como evolui a irresponsável tentativa do petista de recuperar sua popularidade.

Caso estratégias como o aumento de verba publicitária e o “empréstimo do Lula” não sejam o bastante para melhorar a aprovação do presidente, a autonomia do BC pode passar por um teste mais difícil nos próximos meses.

Leia mais: Só sobrou Galípolo

Fonte/Créditos: Rodolfo Borges

Créditos (Imagem de capa): Foto: Jose Cruz/Agência Brasil

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