Por: Carlos Assunção
Está ruindo o império dos petrodólares, erguido há mais de 40 anos, quando a Arábia Saudita liderou a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) na decisão de só vender petróleo para quem pagasse em dólares americanos, em troca de proteção militar, transferência de tecnologia e investimentos em infraestrutura em Riad, Meca e Medina.
Resultado: todos tinham que ter divisas em dólar para ter acesso à mais necessária entre todas as "commodities" do planeta. França, Inglaterra, Itália, Holanda, Canadá, Turquia, Austrália, Dinamarca, Suécia, Brasil, Japão, Indonésia, Rússia e também a China.
Agora o regime iraniano deu o troco: só vai liberar a passagem pelo Estreito de Ormuz de superpetroleiros cuja carga tenha sido paga em yuans, a moeda chinesa.
A disputa entre duas "currencies" abre uma avenida para que a China magnifique na esfera econômica seu poder geopolítico. Caso outros grandes produtores alinhem-se com o Irã, que agora está literalmente sentado "over a giant shoulder", o que pode acontecer?
França, Inglaterra, Itália, Holanda, Canadá, Turquia, Austrália, Dinamarca, Suécia, Brasil, Japão, Indonésia e também a Rússia, mesmo sendo a maior produtora mundial, terão que comprar yuans se quiserem ter acesso ao petróleo do Golfo Pérsico.
Com a destruição de sua maior refinaria de petróleo pelos mísseis iranianos, a Arábia Saudita se enfraquece diante de seus aliados locais.
Com Dubai, Abu Dhabi, Kuwait e Emirados Árabes Unidos de joelhos diante da inaudita capacidade de ataque da artilharia aérea iraniana, e com a Europa voltando as costas para o Pudim de Laranja, a China emerge como a vencedora silenciosa desta batalha, sem ter disparado um tiro.
Fonte/Créditos: Por: Carlos Assunção

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