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Após infarto agudo do miocárdio, não é seguro, na maioria dos casos, tirar aspirina nos primeiros meses de tratamento para desobstruir artérias bloqueadas. É o que revela um estudo inédito do Einstein Hospital Israelita, em parceria com o Ministério da Saúde, via Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS).

O estudo surgiu do questionamento de um dilema da medicina sobre manter ou não, nos primeiros meses do tratamento, a aspirina, que ajuda a evitar problemas cardíacos, mas provoca um aumento do sangramento.
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O processo padrão de um infarto, após a angioplastia com stent (procedimento para desobstruir artérias bloqueadas), envolve o uso de dois medicamentos antiplaquetários em deixar o sangue mais fino: a aspirina e um antiplaquetário mais potente. Essa combinação, que leva o título de dupla anti-agregação plaquetária, tem o objetivo evitar que o vaso sanguíneo obstruído volte a formar um coágulo.
“Há essa tendência de tirar aspirina, ainda nos três meses, em que geralmente mantinha os dois remédios. Pensamos se seria bom tirar desde o começo. E não é bom. Durante a pesquisa, notamos que tirar aspirina aumenta a chance de você ter problemas cardíacos. O mais importante é não reeinfartar. Nós demoramos 40 anos para descobrir como é que a gente protege o coração. Não podemos abrir mão disto”, diz o autor sênior da publicação, Pedro Lemos, que é diretor do programa de cardiologia e pesquisador do Hospital Israelita Albert Einstein.
Para a pesquisa, os especialistas consideraram o aspecto cardiológico, ou seja, o risco de ter outros problemas no coração, como o ponto principal a ser zelado. Assim, por mais que a aspirina tenha as complicações, os benefícios ao órgão fazem com que o medicamento seja mantido na rotina de pessoas que tiveram um ataque cardíaco.
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O resultado do estudo reforça o protocolo tradicional da dupla medicação, mas abre o caminho para outros estudos. Os dados coletados permitem análises dos perfis de pacientes que podem ser beneficiados com tratamentos com ou sem aspirina, além da possibilidade de usar a Inteligência Artificial para encontrar respostas. O objetivo, agora, é encontrar formas de tratar complicações cardiológicas, sem causar sangramentos. “O estudo vai continuar”, afirma Pedro.
O estudo
A pesquisa NEO-MINDSET é 100% brasileira e sem patrocínio da indústria farmacêutica. A partir da dúvida central, participaram mais de 3.400 pacientes, de 50 hospitais de todas as regiões do Brasil, com síndromes coronarianas agudas, todos com infarto e submetidos ao tratamento padrão com stent. Durante 1 ano, os pesquisadores dividiram os pacientes em dois grupos: um que seguiu com o tratamento em dupla anti-agregação plaquetária; e outro que não tomou a aspirina.
No grupo de pacientes que utilizou apenas um medicamento, a taxa de complicações cardíacas foi de 7,0%. Já no caso dos pacientes que mantiveram a dupla antiagregação plaquetária (aspirina + outro antiplaquetário), a taxa de complicações cardíacas foi de 5,5%. No entanto, o estudo confirmou que manter a aspirina duplica as chances de sangramento.
Fonte/Créditos: Por Ana Raquel Lelles
Créditos (Imagem de capa): (crédito: freepik)
