Sábado, 02 Maio de 2026 - 08:55 | Redação

A pré-campanha ao governo de Rondônia começa a revelar, ainda nos bastidores da administração estadual, um enredo que contrasta discurso e prática. Com o apoio declarado do governador Marcos Rocha, o pré-candidato Adailton Fúria amplia sua influência sobre a máquina pública, especialmente na área da Saúde.
O movimento não é isolado. Há cerca de dois meses, o próprio Fúria, em articulação com o coordenador-geral da campanha do PSD, Expedito Júnior, já havia influenciado a escolha do atual secretário de Estado da Saúde, Edilton Oliveira dos Santos. A sequência de indicações, segundo interlocutores políticos, também se estende a cargos de segundo escalão, consolidando uma presença cada vez mais robusta do grupo ligado ao pré-candidato dentro da estrutura estadual.
O que chama atenção é o descompasso entre essa atuação e o discurso adotado publicamente. Fúria tem buscado se apresentar como uma alternativa de renovação política, tentando se distanciar da atual gestão. No entanto, na prática, a ocupação de espaços estratégicos no governo indica o oposto: uma relação de continuidade e, mais do que isso, de participação direta nas decisões administrativas.
Nos bastidores, a leitura é ainda mais incisiva. Ao mesmo tempo em que ensaia um discurso de independência, o pré-candidato opera como parte ativa do governo que, em tese, deveria representar o “modelo a ser superado”. A contradição não passa despercebida por adversários e nem por setores da própria base política, que já começam a questionar até que ponto há, de fato, uma ruptura ou apenas uma reconfiguração de poder. Afinal, as nomeações indicam que, mais do que uma ruptura, há sinais de continuidade na condução do governo.

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