VITOR HUGO BATISTA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) -
Entre 2015 e 2024, o número de óbitos aumentou 21%, passando de 14,9 mil para 17,5 mil. Nesse período, mais de 159 mil vidas foram perdidas para a doença. A região Centro-Oeste teve o maior crescimento (26,1%) na última década, seguida pelo Sul (24,1%), Sudeste (21%), Nordeste (19,7%) e Norte (19,5%).
Apesar de ser o segundo tumor mais frequente entre os homens, atrás apenas do câncer de pele não melanoma, o câncer de próstata ainda é cercado por preconceitos, o que afasta muitos homens dos consultórios médicos.
Segundo Marco Arap, urologista do Hospital Sírio-Libanês, o tabu em torno do toque retal ainda é um obstáculo. “Não é um exame confortável, mas é simples, barato e muito importante para o diagnóstico da doença”, explica.
Quando o exame de sangue PSA (Antígeno Prostático Específico) está dentro dos níveis normais, o toque retal pode ser o fator decisivo para identificar alterações suspeitas.
Outros exames também ajudam no diagnóstico. O principal é a ressonância magnética, que avalia toda a próstata e as regiões próximas. “A ressonância é um exame muito sensível e específico, mas é cara. Por isso, só deve ser indicada quando o PSA ou o toque apresentam alterações”, ressalta Arap.
Por ser uma doença silenciosa nos estágios iniciais, o rastreamento regular é essencial. A SBU recomenda iniciar os exames aos 50 anos, ou aos 45 para quem tem fatores de risco, como histórico familiar, obesidade ou ser negro — grupo com risco duas vezes maior de desenvolver o tumor e maior mortalidade.
“O câncer de próstata é silencioso e não apresenta sintomas na fase inicial. Muitos só descobrem em estágios avançados, quando as chances de cura diminuem drasticamente. Prevenção é atitude de responsabilidade”, alerta Luiz Otávio Torres, presidente da SBU.
Nos estágios mais avançados, os sintomas podem incluir dificuldade para urinar, jato urinário fraco, sensação de urina residual, sangramento e dor nas costas. Em casos de metástase, podem ocorrer dores ósseas, perda de peso e anemia.
No entanto, esses sintomas nem sempre indicam câncer — podem estar ligados a infecções urinárias, cálculos renais ou hiperplasia benigna da próstata. “Qualquer sintoma deve ser investigado. Seja algo simples ou grave, o paciente precisa procurar um médico”, reforça Arap.
Nem todo câncer de próstata requer tratamento imediato. Em casos de tumores de baixo risco e crescimento lento, pode ser indicada a vigilância ativa, um acompanhamento clínico rigoroso sem intervenção cirúrgica.
“Às vezes, o tumor é tão lento que o tratamento pode ser mais agressivo que ele próprio. Nesses casos, o paciente é incluído em um protocolo de vigilância ativa”, diz o especialista. “O risco é o abandono do acompanhamento, o que pode permitir que o tumor evolua e reduza as chances de cura.”
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Fonte/Créditos: 01/11/2025 09:57 ‧ há 41 segundos por Folhapress Brasil
Créditos (Imagem de capa): © Freepik


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