Sim, é natal. Mas não. Não acredito em Papai Noel e acho que nunca acreditei muito. Para falar a verdade, desde criança, sei lá por que, sempre achei um saco esse tal “bom velhinho”. Vai ver não me deu a “minha Caloi” – os com mais de 45 entenderão.
Por isso, não espero nem acredito que o senhor (três vezes!!) presidente da República irá me ouvir, mas não custa tentar. Vai que algum aspone seu me leia e resolva lhe soprar a sugestão: Lula, venha a público e reconheça que errou ao atacar o Banco Central.
Reconheça que errou ao descredibilizar as decisões de Campos Neto e do Comitê de Política Monetária (Copom), e a sugerir que o novo presidente do BC, Gabriel Galípolo, um indicado seu, irá abandonar a política de metas de combate à inflação.
Vai, que ainda dá tempo
Reconheça que juros baixos não dependem de querer, mas de merecer, e seu governo errático, perdulário e ineficiente – haja vista, apenas como um dos exemplos, o déficit recorde das estatais – não merece taxas civilizadas de juro real.
Reconheça que, ao contrário do que disse diversas vezes, “Um pouco mais de inflação” não é o caminho para o crescimento – ao menos sustentado – da economia, e que os pobres se preocupam, sim, ainda que sem saber, com o aumento do dólar.
Reconheça que 40 ministérios – ok, 39 – é muito. Que Janjapalooza, cascatas, aerolulas e outros gastos abusivos, ainda que não resolvam nossa situação se economizados, servem como exemplo negativo e péssima mensagem aos agentes financeiros.
Antes que seja tarde
Reconheça que sua era passou – na verdade, acabou. E comunique que não será candidato à Presidência em 2026, esvaziando, assim, o discurso bolsonarista radical, outro grande mal a ser combatido, abrindo possibilidade de renovação política.
Reconheça que não são os especuladores malvados os responsáveis pela explosão do dólar, nem muito menos o “mercado” que “Não gosta de ver pobre andando de avião”, mas sim o descontrole das contas públicas e as expectativas futuras de piora.
Reconheça, por fim, Lula 3, que sem a admissão dos erros, correção de rota e sinalização clara de mudanças efetivas, a situação cambial e fiscal só irá se agravar, pavimentando uma crise igual ou maior que a de sua poste, Dilma Rousseff, cujos efeitos sentimos até hoje.
Fonte/Créditos: Ricardo Kertzman / O Antagonista
Créditos (Imagem de capa): Foto: Ricardo Stuckert/PR
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