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Terça-feira, 15 de Setembro 2026
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Sílvia vira alvo após crescer; Fúria adota bordão à la Cassol; e aliados de Rocha passam a divulgar Hildon

A íntegra da coluna redigida por Robson Oliveira

Sílvia vira alvo após crescer; Fúria adota bordão à la Cassol; e aliados de Rocha passam a divulgar Hildon
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Sílvia vira alvo após crescer; Fúria adota bordão à la Cassol; e aliados de Rocha passam a divulgar Hildon

Foto: montagem feita por IA / Reprodução

RESENHA POLITICA

ROBSON OLIVEIRA

SINAIS

A nova pesquisa Quest para a Presidência da República merece mais atenção do que o alarido habitual das torcidas organizadas da política. Pela primeira vez, uma sondagem com metodologia reconhecida coloca numericamente Flávio Bolsonaro à frente de Lula em um eventual segundo turno. Não é sentença eleitoral, mas é um sinal político relevante.

CURVAS

O dado mais importante talvez não esteja apenas no número, mas no movimento. A pesquisa sugere uma candidatura subindo enquanto a outra perde terreno. Quando duas curvas começam a se inverter simultaneamente, acende-se a luz amarela para quem está descendo e a luz verde para quem vem avançando.

FADIGA

Isso não significa, ainda, tendência consolidada. Pesquisa é fotografia, não filme. Para transformar os números de hoje em tendência eleitoral, será necessário observar as próximas rodadas e verificar se o movimento se repete. Mas há um componente que não pode ser desprezado: a resiliência de Flávio Bolsonaro e os sinais de fadiga da candidatura lulista. O eleitorado parece menos imóvel do que imaginavam os estrategistas de Brasília.

INSÔNIA

E há uma regra cruel nas campanhas: quanto mais a eleição se aproxima, menos tempo existe para corrigir uma curva descendente. Quando a campanha começa a afunilar e uma candidatura sobe enquanto a outra desce, o problema deixa de ser estatístico e passa a ser político. Para Lula, portanto, a pesquisa Quest não deveria provocar pânico. Mas certamente já deveria provocar insônia.

FAKE

repetição das decisões do Tribunal Regional Eleitoral determinando a retirada de fake news contra Silvia Cristina já deixou de ser episódio isolado. Virou rotina de campanha. E, quando a mentira precisa ser retirada do ar tantas vezes, talvez seja porque a verdade esteja incomodando mais do que deveria.

ALVO

Os ataques têm alvo: tentar estancar o crescimento de uma candidatura que avançou sobre colégios eleitorais antes tratados como território exclusivo de seus adversários. Silvia cresce de forma sustentável e começa a transformar uma disputa pulverizada em ameaça concreta aos concorrentes.

ENTREGAS

A razão desse crescimento não é difícil de entender. Única parlamentar federal de Rondônia com identidade política própria, Silvia fez do mandato uma espécie de usina de recursos para a saúde, especialmente no combate ao câncer. Por meio de suas emendas, quatro hospitais foram construídos no interior, enquanto o Hospital de Amor recebeu recursos fundamentais para manter serviços oncológicos que, para milhares de pacientes, estão entre a esperança e o desespero.

FATO

O apoio de prefeitos, inclusive da capital, reforça uma liderança que deixou de ser promessa para virar fato político. E fato político costuma provocar alergia em quem percebe a candidatura crescendo no retrovisor. Como não conseguem baixar o cacete no trabalho da parlamentar em Brasília, recorrem ao expediente mais rasteiro: fabricar versões, deformar fatos e disseminar mentiras. A Justiça Eleitoral tem respondido.

OBREIRA

Hoje, gostem ou não os concorrentes, Silvia Cristina tornou-se peça indispensável em boa parte das ações de saúde de Rondônia. Seja para manter serviços funcionando, seja para erguer novas unidades. E eleição, como se sabe, aceita quase tudo. Só não deveria aceitar que a mentira faça campanha no lugar do candidato.

SALVAÇÃO

Quem acompanha os bastidores das campanhas sabe que, quando a eleição aperta, os aliados descobrem rapidamente o significado da expressão “cada um por si”. No Senado, porém, parece que a regra virou: salve-se quem puder.

RACHA

Ontem, depois de uma sucessão de telefonemas, cobranças e críticas, o governador Marcos Rocha sepultou de vez o apoio que havia declarado ao candidato do próprio partido, Adailton Fúria. Puto com as críticas frequentes do ex-aliado ao governo, Rocha tentou segurar-lhe a língua com o velho expediente da ameaça: ou para de bater, ou perde o apoio. Não funcionou. O racha se confirmou.

BORDÃO

Fúria manteve as críticas e, pelo interior, repete que não será manipulado por ninguém e que, se eleito, quem mandará no governo será ele. Adotou até um bordão que lembra Ivo Cassol: cada um tem seu CPF.

MUDANÇA

A relação azedou de tal maneira que auxiliares próximos ao governador simplesmente recolheram as peças eleitorais de Fúria e retiraram de suas redes sociais a propaganda que antes exibiam com entusiasmo e trocaram pela do Hildon Chaves. A política tem dessas delicadezas: enquanto há conveniência, todos são irmãos; quando acaba, até o card desaparece.

CRÍTICAS

Segundo apurou a coluna, Fúria passou a ignorar as ligações de Rocha e elevou o tom das críticas. Também já teria decidido deixar o PSD depois da eleição, avaliando uma migração para o Novo ou o Republicanos. A aproximação política de sua esposa com Mariana Carvalho ajuda a explicar o novo horizonte.

ALFORRIA

Ainda é cedo para medir o efeito eleitoral do rompimento. Mas uma coisa parece evidente: sem o fardo de defender um governo desgastado e um governador cada vez mais distante dos problemas que deveria enfrentar, Fúria ganha liberdade para bater mais forte.

CONFUSÃO

E aqui está o ponto mais curioso dessa história: Marcos Rocha parece acreditar que política funciona como quartel. Talvez seja por isso que tenha tanta dificuldade para entender que aliado não é subordinado, partido não é propriedade particular e candidato não precisa pedir licença para ter opinião. Rocha não perdeu apenas um aliado. Perdeu a oportunidade de fazer política. O entorno do governador ajudou a envenenar o ambiente.

CABRESTO

Ao tentar enquadrar Fúria na base da pressão, acabou produzindo exatamente o contrário do que queria: deu ao candidato um argumento eleitoral pronto. Agora Fúria pode dizer, sem precisar fazer muito esforço, que não aceita cabresto. E, convenhamos, poucas coisas são mais perigosas para um governo desgastado do que um adversário que conhece suas entranhas e não lhe deve mais fidelidade.

VAIDOSO

A postura do governador também expõe uma vaidade política quase pedagógica. Rocha parece ter desenvolvido a curiosa convicção de que sua caneta é mais poderosa que a urna. É um erro básico, mas bastante comum entre governantes que passam tempo demais ouvindo assessores e pouco tempo ouvindo o eleitor.

TRAGÉDIA

O governador quis mostrar força e acabou revelando fragilidade. Quis impor silêncio e conseguiu um crítico ainda mais livre. Quis demonstrar quem manda e terminou mostrando que já não consegue nem controlar quem ontem estava ao seu lado. Há algo de tragicômico nisso.

CONTA

Fúria agora está livre. Rocha, ao contrário, terá de carregar sozinho o peso de seu governo, de seus acertos, de seus erros e, sobretudo, daquilo que deixou de fazer. Talvez seja justamente essa a parte que mais incomode. Porque, sem o apoio de Fúria, o governador perde um aliado. Mas, sem o governo nas costas, Fúria pode finalmente fazer campanha por conta própria. Cada um com seu CPF. E, pelo jeito, cada um com sua conta para pagar. E a conta chega para todos...

AGILIDADE

Há 15 dias, esta coluna criticou, com a acidez que lhe é peculiar, o esgoto que jorrava do novo prédio onde hoje funciona a Escola Superior do Ministério Público. A crítica foi feita. A resposta veio imediatamente. O procurador-geral Alexandre Jesus e o corregedor Herverton Aguiar entraram em contato com a coluna para explicar o ocorrido e, principalmente, providenciar a solução. E resolveram no mesmo dia.

AUTOCRÍTICA

Como fomos rápidos na crítica, temos a obrigação de ser justos no reconhecimento. O problema foi solucionado com a mesma agilidade que gostaríamos de ver sempre no serviço público. Não apenas pela solução, mas pela atenção dispensada à reclamação. Gratidão é o mínimo que esta coluna pode declinar. Só não conseguimos fazê-lo com a mesma velocidade do Ministério Público. O que revela nossa falta de autocrítica.

DEBATES

Começam esta semana a temporada dos debates que podem influenciar na condução das eleições e impactar nas candidaturas. Ninguém precisa vencer o debate, isto é uma bobagem que serve apenas para as bolhas, o se espera de um debatedor é capacidade de abordar os temas e evitar gafes. Debate não vence eleição, mas ajuda o candidato e perdê-la. Quando o time é limitado, a regra passa a ser seu aliado. Fica a dica.

Política RESENHA POLÍTICAImprimirimprimirRobson OliveiraResenha Política, por Robson Oliveira

O jornal Rondônia Dinâmica se reserva no direito de manter a opinião dos articulistas integralmente, sem intervenções. Entretanto, o conteúdo apresentado na seção ''Artigos & Colunas é de inteira responsabilidade de seus autores.

Fonte/Créditos: Por Robson Oliveira Publicada em 15/09/2026 às 11h01

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