A mídia acordou
Ainda era estudante de Direito (1998-2001) quando escrevi vários artigos e um ensaio sobre violência urbana: “Violência: causas, consequências e soluções” devido à falta de estudos sobre esse fenômeno psicossocial de causas multifatoriais que já assustava a população. Um dos pontos que levantei foi sobre a postura da mídia na cobertura da violência, pois se tinha a impressão da glorificação do crime e do criminoso nos noticiários por dar “ibope” o sensacionalismo.
No livro, “Dar Sentido à Vida”, de Viktor Emil Frankl (1905-1977), diz que na Suíça, em meados de 1900, num dos cantões, por exemplo, foi realizado um experimento psicossocial e relatado, num evento educacional, pelo Conselho Municipal de Educação de Viena, que os meios de comunicação fizeram acordo para não mais divulgar, por um ano, os casos de suicídios e os índices caíram para 10%. Uma pergunta ficou sem resposta: quem da mídia estaria disposta a se responsabilizar pelos 90% dos suicídios ocorridos nos anos anteriores? O silêncio imperou…
O crime e os criminosos estavam sendo “glorificados” na mídia com espaço que nem celebridades conseguem, especialmente nos programas policiais com audiências inenarráveis, mas vejo como positivo esse acordo, porém, não é verdade que é “baseado em novos estudos de especialistas em segurança”, pois a mídia ignorou, em busca de audiência, o que já se sabia há século, ou seja, que a divulgação de crimes aumenta a criminalidade, como se fosse possível tentar apagar fogo com gasolina.
Felizmente, a mídia acordou, mesmo que tardiamente, para amenizar essa sensação de medo, angústia, ansiedade e depressão no sujeito por conta das más notícias diárias de violência urbana.

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